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O ultraje à Sagrada Família exige reparação

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Na Igreja de São Pedro e São Paulo, em Capocastello di Mercogliano, na Itália, um padre montou um presépio com Maria e outra mulher, no lugar de São José.  No hall de um importante hotel de Sevilla, na Espanha, um artista montou um presépio, com dois Josés e nenhuma Maria e, nos Estados Unidos, uma humorista e ativista divulgou imagens de um simulacro de presépio com dois Josés, vestidos de rosa choque, ao lado do Menino Jesus.

 Foto: Gustavo Kralj

Foto: Gustavo Kralj

 Redação (28/12/2023 10:50, Gaudium Press) Nas minhas seis décadas de vida, já vi tantas coisas, sobretudo nos últimos anos, que cheguei a pensar que nada mais pudesse me surpreender. Estava enganado. A capacidade humana de superar-se em seus absurdos é tão grande que, ainda que vivesse mais 60 anos, as nefastas surpresas não teriam fim. Graças a Deus, um homem não vive tanto e, para mim, já está de bom tamanho os absurdos que testemunhei até aqui.

O desrespeito sempre me incomoda muito, esteja ele em que instância estiver. Não precisamos e nem devemos concordar com tudo, mas isso não nos dá o direito de desrespeitar a crença do outro. No entanto, o oposto tem acontecido repetidamente, com ataques diretos aos princípios da decência, da moral, da civilidade e da família, com o fim único de atingir a religião. É o que fica explícito na montagem dos ditos “presépios inclusivos”, que descaracterizam a Sagrada Família e ultrajam a fé cristã.

O problema não está na família

Eu nunca escondi que sou uma pessoa de princípios conservadores. Sou um cristão, um católico praticante, portanto, acredito na Bíblia e nos mandamentos da Lei de Deus nela contidos, e pauto a minha vida por esse direcionamento divino que o próprio Deus nos legou. Assim sendo, eu acredito na família composta originalmente por um homem e uma mulher, com o objetivo primordial da procriação.

Quando falamos assim, parece que damos a entender que essa família proposta por Deus desde os primórdios deve ser uma família desprovida de amor, com a finalidade única de trazer filhos ao mundo. Não! A família é o maior e principal reduto do verdadeiro amor. Ela é a mais perfeita criação divina depois do ser humano, e constitui o berço de toda a humanidade e a sustentação do tecido social.

A família, no entanto, sofreu vários golpes, sendo o divórcio o principal deles. A falta de fé foi levando as pessoas à falta de amor. Licenciosidades, liberdade sexual, uniões equivocadas e precipitadas e a facilidade em se separar foram ferindo a instituição da família, que vai se degenerando cada vez mais. O problema, porém, não está na família, está no que os seres humanos fazem dela.

O pecado da omissão

Entretanto, mesmo tendo a visão que tenho a respeito da família, vocês que me acompanham nunca me viram criticar as chamadas ‘famílias alternativas’ e nem as questões ligadas a gênero, porque não é meu papel julgar e apontar aquilo que, de acordo com as Sagradas Escrituras, figura como desrespeito às leis de Deus.

Este é um assunto delicado que está transformando o panorama mundial, e não é uma ou outra voz isolada que vai mudar aquilo que tomou conta de praticamente tudo e passou a ditar a maioria das regras. No entanto, se a nossa tolerância passar de um determinado ponto, ela se transforma em omissão, e omissão é um pecado grave. Ninguém deve pecar apenas para não incomodar ou escandalizar o pecado do outro.

Há coisas que não é possível tolerar

Que um padre tenha a ousadia de fazer um presépio sem José, com outra figura feminina ocupando o lugar do pai adotivo de Nosso Senhor, ao lado de Maria, sob a justificativa de que as famílias estão mudando, isso diz respeito a mim e à minha religião. E é um tipo de coisa que não dá para tolerar.

Em vários Natais, já tivemos o surgimento de programas de humor blasfemos, que desrespeitaram a divindade de Nosso Senhor e a sacralidade de Maria. Este ano surgiram esses horrendos arremedos de presépios com dois Josés, em um deles, vestidos como se estivessem indo para o baile da Cinderela. Obras sacrílegas feitas por artistas que desprezam a religião e, por isso, se esforçam para afrontá-la e ofender seus seguidores. Mas, quando isso parte de um sacerdote católico, podemos afirmar que caminhamos a passos largos para o fim.

O berço das heresias

É importante lembrar que muitas heresias surgiram no seio da própria Igreja, e também deixar claro que a Igreja é o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, que Ele é a Cabeça e a Igreja, o seu Corpo. Portanto, a Santa Igreja Católica não é o padre, não é o bispo, não é o cardeal e nem mesmo o papa. Ela é muito mais do que isso. É o conjunto de pastores e fiéis, é a continuidade da mensagem de Cristo, é o Evangelho posto em prática. Os padres, os bispos, os cardeais, os papas, todos eles passam, mas a Igreja permanece.

As heresias, por mais lógicas, bonitas e inclusivas que possam parecer, continuam sendo heresias e, como tais, não se sustentam, porque a Verdade sempre prevalece. E a Verdade não é um conceito, ela é uma pessoa, e essa pessoa tem nome: Jesus Cristo, que nasceu em Belém, de uma Virgem chamada Maria, foi concebido pelo Divino Espírito Santo e teve por pai adotivo, um digno varão pertencente à casa de Davi, São José, o Patrono da Igreja.

Num passado remoto, surgiram diversas heresias contra as verdades da fé. Embora elas seduzissem e iludissem a muitos com suas falsas afirmações, contra elas lutaram bravos homens, grandes santos, dispostos a defenderam a Igreja, herança de Cristo, com suas próprias vidas. Hoje, ao vermos os ultrajes aos quais é submetida a nossa fé, o que fazemos além de lamentar e esquecer logo depois? Isso, quando não achamos normal, em consonância com a modernidade. Onde estão os heróis da Cristandade que deveriam se opor às heresias dos dias atuais?

Se por menos ele expulsou os vendilhões do Templo…

Até que Jesus Cristo volte, conforme prometeu, ainda veremos muita degeneração. Se Ele fez um chicote, virou as mesas dos cambistas e expulsou os vendilhões do Templo, que faziam um comércio usual na época em que Ele esteve entre nós, o que não fará na sua volta ao ver a sua Igreja sucumbindo nas mãos daqueles que deveriam cuidar dela, vivendo santamente para servirem de exemplo ao rebanho que é assediado por todos os lados, continuamente? O que Ele fará quando vir que lobos ocupam o lugar dos pastores, violando a inocência das ovelhas ao invés de cuidar delas?

Jesus Cristo é o Senhor de todos os homens e mulheres Ele conhece e ama a cada um e merece o respeito de todos. Nenhuma ideologia tem o direito de transformar a Sagrada Família em algo que ela não é!

Este ultraje exige uma urgente reparação!

Ano após ano, Jesus vem sendo submetido ao descaso, com o Natal transformado cada vez mais num evento puramente comercial e com a produção de um humor vulgar que tenta rebaixá-Lo. No entanto, o que aconteceu este ano, com esses presépios degenerados, exige de nós, católicos, uma urgente reparação. Ainda chocado e descrente de que tais blasfêmias sejam possíveis, eu me propus rezar um Rosário por dia, até o próximo Natal, em reparação a esse ultraje.

E convido a todos os católicos que leem este artigo a fazerem a mesma coisa, dedicarem uma ação concreta para reparar essa infâmia. Nós devemos respeitar as pessoas e a diversidade que elas representam, mas também temos o dever de exigir respeito à nossa fé, à nossa Igreja, ao nosso Deus e à nossa Mãe Santíssima.

Sobre o equívoco dos artistas, não tenho o que comentar, pois se trata de um terreno onde a fé não faz parte dos valores. Mas desejo que ao menos a consciência do padre italiano possa acusá-lo da gravidade de sua ação, ao ter montado, dentro de uma igreja, um presépio com duas mães, porque as autoridades constituídas provavelmente não o acusarão.

Por Afonso Pessoa

 

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