Os segredos do maior orador sacro

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Como fazer homilia? Como falar em público? O que dizer? Enfim, como exortar, ensinar, advertir, corrigir, louvar? São perguntas para as quais a vida de São João Crisóstomo traz respostas.

Redação (11/09/2020 04:33, Gaudium Press) O exercício da palavra é fundamental para o sacerdote. Enquanto responsável perante Deus pela salvação do rebanho a ele confiado, todo padre deve saber pregar. Entretanto, esta tarefa nem sempre se apresenta fácil, mesmo para aqueles a quem a natureza concedeu versatilidade no uso do verbo, pois se é preciso falar bem, ainda mais importante é falar do bem, ou seja, admoestar e converter os corações.

E nesta arte, São João Crisóstomo é exemplar. Modelo de orador, porque modelo de santidade. Crisóstomo quer dizer “boca de ouro”, mas este título nada significaria se não fosse precedido pelo galardão da heroicidade das virtudes.

Por breves instantes, detenhamos em alguns traços da vida de São João Crisóstomo, celebrado no dia 13 de setembro. Aqueles que almejam pregar bem, desvendarão com ele seus segredos.

Primeiro passo: vida interior

A preparação da homilia nunca deve ser feita nas vésperas, nem sequer três dias antes, nem com uma semana de antecedência. Ela começa todos os dias, não com treinos de oratória e retórica, mas com vida de oração.

Aprendamos com João Crisóstomo.

Nasceu ele em Antioquia da Síria, perto do ano 344, e consagrou os primeiros anos da juventude ao estudo, Filosofia e Retórica, aos quais cedo acrescentou a Fé, recebendo as águas regeneradoras do Batismo. Encantado com a sabedoria da Cruz, quis viver no deserto com os eremitas e ali tomou as mais preciosas lições de oratória: silêncio, meditação, contemplação, penitência, oração.

A saúde era fraca, e depois de um período, Crisóstomo teve que retornar ao convívio com os homens, os quais, por sua vez, precisavam de João.

Ordenado sacerdote, começou a ensinar e exerceu o ofício de pregador durante doze anos em Antioquia. É neste período que pronunciou suas homilias mais famosas.

Segundo passo: buscar os corações

Há gente que fala para ouvir aplausos. Estes, na sua imensa maioria, nada conseguem, pois o público sabe reconhecer a vaidade rapidamente nas palavras do orador, ainda que ela procure se disfarçar. E quando se trata de assistência religiosa, ninguém se interessa por sacerdotes de palavras elegantes. Eles querem palavras de Fé.

Era comum que assembleia desatasse em pranto durante as pregações de São João Crisóstomo, lágrimas estas provocadas não por palavrórios meramente sentimentais e vazios de sentido, mas por desejo sincero de conversão. As palmas – tão almejadas por alguns – acompanhavam também o sermão do santo, porque a glória persegue aqueles que dela fogem, como a sombra corre atrás de seu dono.

Falar aos corações deve ser o maior objetivo do orador sacro.

Terceiro passo: nada temer

O medo precisa ser vencido pelo orador, tanto o receio de fracassar como toda espécie de pavor humano. O medo inibe aquele que faz uso da palavra. Ele, sobretudo, não pode temer as consequências de dizer a verdade.

A fama de São João Crisóstomo fez com que o nomeassem para o Patriarcado de Constantinopla. Muitos riscos ali se apresentaram ao novo bispo.

É sabido que a opulência não tarda a vir, a acompanhada de toda sorte de vícios, e, no caso de Bizâncio, o fausto corrompeu a sociedade e clero inclusive. Urgia uma reforma para a qual o Patriarca não poupou esforços, ainda que sua atitude tenha despertado insatisfações.

E como o exemplo sempre arrasta mais do que as palavras – aliás, outra preciosa lição para o orador – São João Crisóstomo começou por levar uma vida de penitente em meio à riqueza que sua condição exigia. Não recusou as dignidades de seu posto, porque era seu dever ostentá-las, mas na sua vida privada era um verdadeiro asceta: dormia sobre uma tábua e sua alimentação era a de uma cenobita.

Recriminando as faltas da corte, dos governantes e de toda a sociedade, Crisóstomo fez inimigos em todas as partes. Contudo, como o ofício do pregador é proclamar a verdade, ele não temeu. Duas vezes recebeu ordem de partir para o exílio. Entretanto, na primeira, sua sentença não durou mais do que um dia. O povo, que sabia reconhecer a autenticidade do pastor naquele que corrige, revoltou-se contra as autoridades, as quais tiveram que revogar a condenação.

Recriminar quando a moral exige é dever do pregador. Ele não deve ter medo de fazê-lo.

Palavras que não desaparecem

São João Crisóstomo morreu no segundo exílio, perto do Mar Negro, em 14 de setembro de 407. Foi nomeado patrono dos oradores sacros por São Pio X.

Morto, ele ainda nos fala. Atravessando os séculos, sua voz chega até nós, porque ela foi acompanhada de santidade. Numa época diferente da nossa, em que não existiam recursos para perpetuar suas homilias como hoje, a admiração dos fiéis supriu as dificuldades. Anotadas pela assembleia, chegaram até nós quase setecentas homilias.

Quem deseja falar bem em público deve, antes, falar muito com Deus na oração. A estes, as gerações nunca se cansarão de ouvir.

Por Paulo da Cruz

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