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quinta-feira, julho 29, 2021

Sacerdotes que conversaram com jornalista sobre confissões teriam incorrido em faltas canônicas?

O caso surge devido ao aparecimento do livro ‘Je vous pardonne tous vos péchés’ onde algumas confissões são supostamente narradas sem revelar os penitentes.

Redação (17/03/2021 17:48, Gaudium Press) Sacerdotes que contaram a um jornalista segredos de confissão poderiam ter incorrido em alguma falta canônica?

É a pergunta que surge por causa do recente livro Je vous pardonne tous vos péchés (eu te perdoo todos os teus pecados), no qual Vincent Mongaillard – jornalista do Le Parisien – supostamente recolhe depoimentos de 40 sacerdotes que relatam o que ouviram em confissão nos últimos anos, sem revelar as identidades dos penitentes.

Embora a editora e a publicidade dada ao livro enfatizem que as identidades dos penitentes foram ocultadas, a questão evidentemente não para por aí.

O tema canônico

De fato, o Código de Direito Canônico trata: do perigo de o penitente ser descoberto por qualquer modo; da proibição do confessor de fazer uso, em detrimento do penitente, dos conhecimentos adquiridos na confissão; e a proibição de fazer algum uso para o governo exterior de tais conhecimentos adquiridos dessa forma. Assim, não seria difícil de se encaixar em um dos casos acima o padre entrevistado, apesar de dele não ter revelado a identidade do penitente. (Cfr. Cn 983)

“As palavras sussurradas em um confessionário…”: Aqueles que estão fazendo a resenha do livro usam os recursos das técnicas de publicidade para chamar a atenção sobre o assunto. E o resto será feito pelo conteúdo e a curiosidade, nem sempre saudável, daqueles que desejam conhecer os pecados dos outros, em vez de se penitenciarem pelos próprios.

É verdade que Montgaillard – que também não revela o nome completo dos sacerdotes entrevistados – parece mostrar respeito e admiração pelo trabalho neste digníssimo ministério: “É muito difícil para eles porque eles carregam nas costas todos os vícios, toda a miséria de nossa sociedade”, disse ele à Europe 1.

Mas é claro que o jornalista também quer vender e para isso ele não deixa de contar quais são os pecados mais confessados, ou contar em detalhes certas confissões Hollywoodianas, entre outros recursos.

Diversas vozes já apontaram que, embora não tenha havido falta canônica nas entrevistas com Mongaillard, a confiança dos fiéis no sigilo sacramental pode sofrer sério prejuízo, devido ao sentido perturbador da possibilidade de que o que eles contam possa acabar público. Um problema a mais para os não poucos contra este necessário e salvífico sacramento já ameaçado por vários Estados no momento. De qualquer forma, o assunto já é polêmico, e certamente as autoridades competentes já iniciaram uma investigação.

Mesmo assim, o fato de que os supostos 40 presbíteros que falaram com o jornalista não tenham dado seus nomes completos, a dúvida sobre a origem recai em um conjunto muito mais amplo de sacerdotes, o que já parece ser uma injustiça.

Talvez o caso, inédito como pareça, suscite uma revisão e atualização da lei da Igreja.

Com informações Cath.ch

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