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sexta-feira, abril 23, 2021

Santa Catarina de Alexandria: “delicada sem fraqueza, forte sem brutalidade”

O dia 25 de novembro celebra a mártir Santa Catarina de Alexandria, jovem dócil para Deus e inflexível para com o mal

Redação (25/11/2020 08:22, Gaudium Press) Catarina[1] nasceu em Alexandria, principal cidade do Egito, no fim do século III.

De família nobre, a bem dizer de estirpe real ­– pois descendia diretamente dos governadores do país ­–, ela via o futuro sorrir diante de si. Desde muito jovem, foi confiada por seu pai aos dois maiores sábios do Egito, sob a tutela dos quais demonstrou possuir uma inteligência fora do comum, a ponto de, aos treze anos de idade, já dominar sete artes livres: eloquência, poesia, música, escultura, plástica, arquitetura e coreografia…

Essa menina de indiscutível capacidade intelectual, será chamada por Deus a enfrentar um dos maiores homens da época, o imperador romano Maximiano Daia, mostrando ao mundo que é através de almas simples e humildes que Deus vence os poderosos.

 Um misterioso sonho que mudou sua vida

­Após a morte do pai, o rei Costus, Catarina retirou-se com sua mãe Sabinela para as montanhas da Cilícia, onde tomou conhecimento da religião cristã no contato com um sacerdote “amável e comunicativo” chamado Ananias, que a instruía nas realidades sobrenaturais que envolvem os Santos Evangelhos. Mas Catarina não se inclinou de imediato diante da Cruz do Salvador, assediada por dúvidas.

Sua mãe, empenhada na conversão da filha, procurava a todo custo um esposo que selasse sua entrega a Cristo. Todavia ela não encontrou em nenhum pretendente alguém que estivesse à altura… Deus já a havia reservado para si.

Um misterioso sonho, entretanto, mudou por completo a atitude de Catarina para com o Cristianismo, e pôs fim ao seu ­– já excessivo ­– espírito de crítica. No sonho lhe era prometido um tesouro que ela só conseguiria adquirir se recebesse o batismo e aceitasse a religião do Salvador. Movida pela graça, instruiu-se rapidamente na verdadeira fé e recebeu o santo batismo.

Com a morte da mãe, Catarina procurou relações cada vez mais intensas com os fiéis de Alexandria, chegando a transformar sua casa em uma verdadeira morada de cristãos. Aprendeu tão rápido as verdades da fé, que aos dezoito anos, em discussões públicas, confundia com facilidade os maiores filósofos de então.

Diante dos maus: assistida pelo Espírito Santo

Nessa época, o imperador Maximiano Daia iniciou uma cruel perseguição contra os cristãos. Tendo tomado conhecimento da aguçada inteligência de Santa Catarina, o imperador prometeu um prêmio aos filósofos que, confrontados com ela, saíssem vencedores na discussão.

Reunidos em praça pública, 50 voluntários se apresentaram. Logo que a viram, começaram a rir, pois não podiam acreditar que essa “inofensiva” donzela pudesse superar a inteligência dos maiores sábios da cidade.

Contudo, já no início da discussão, a clareza e a sabedoria da jovem fizeram calar um por um os opositores. A cada vitória, sucedia uma aclamação estrondosa do povo que a assistia, e de tal modo ela foi assistida pelo Espírito Santo, que todos aqueles filósofos jactanciosos acabaram por se converter humildemente ao Cristianismo.

Permanência na fidelidade

Ao tomar conhecimento do ocorrido, o imperador Maximiano aumentou seu zelo para perverter a sábia donzela. Porém, promessas, ameaças, adulações e subornos não foram suficientes para mudar a sua opinião.

Vencido pela jovem, o imperador a condenou ao martírio da roda, morte terrível daquele tempo, que lentamente mutilava o infeliz atado a este instrumento de suplício.

Antes de ser amarrada, Santa Catarina fez um grande sinal da Cruz com o intuito de se encomendar Àquele ao qual dedicara a sua vida. Mal terminou ela de persignar-se, a roda rachou, e os que estavam assistindo à cena ficaram pasmos de alegria por verem-na livre do cruel e repulsivo suplício.

O imperador, enfurecido, encerrou-a numa masmorra por doze dias, depois dos quais a santa saiu ainda mais bela e robustecida do que tinha entrado.

Vendo frustrado o seu plano de matá-la de inanição e de maus tratos, Maximiano mandou degolá-la, como era o costume de se fazer aos cidadãos romanos.

Catarina tinha 18 anos. Sua memória é comemorada liturgicamente no dia 25 de novembro.

Grande intercessora dos fiéis

Santa Catarina de Alexandria, por sua vida e exemplo, foi agraciada no céu pela devoção dos fiéis, e hoje é denominada padroeira dos artesãos, arquivistas, educadores, jovens, juristas, advogados, bibliotecários, trituradores, enfermeiros, filósofos, pregadores, acadêmicos, estudantes, escribas, secretários, professores, teólogos e jovens solteiros.

A ela foram consagradas a Universidade de Paris e o Balliol College, em Oxford.

Aqui no Brasil, o estado de Santa Catarina é consagrado à mártir sábia e casta.

 

Por Renan Costa


[1] Dados bibliográficos extraídos de: ZIVIANI, Berenice; PETRY, M. Cecilia. Jovem corajosa: Vida de Santa Catarina de Alexandria. São Paulo: Gráfica Serrana, 2001.

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