Santo Isaac Jogues: mártir e evangelizador do Canadá

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No empenho de salvar almas, este missionário jesuíta abandonou sua pátria, empreendeu árduas viagens, enfrentou dificuldades monumentais e, por fim, regou com o próprio sangue a evangelização da América do Norte.

Redação (18/10/2020 17:03, Gaudium Press) Do convés da galera partiam gritos de pavor, entremeados com o ribombar dos trovões:

— O navio está afundando! Estamos perdidos!

O Pe. Jogues, que se encontrava ajoelhado em sua pequena cabine lendo o Livro de Isaías, ouviu aqueles brados espavoridos e imediatamente consagrou a Deus a embarcação, com seus tripulantes e passageiros. Em seguida saiu e deparou-se com uma cena de desespero e confusão.

Conseguiu com muito custo que todos fizessem silêncio e o escutassem. Com voz firme e apaziguadora, o sacerdote passou a repetir-lhes as palavras de Isaías que acabara de ler, convidando-os a pedir perdão por seus pecados. Depois de assim prepará-los, deu-lhes a absolvição sacramental e todos perceberam que “o vento estridente tinha se acalmado. A tempestade havia cessado. Eles estavam salvos”. E o navio seguiu tranquilamente sua rota.

Conheçamos, ainda que em grandes traços, a epopeia de Santo Isaac Jogues, este filho de Santo Inácio de Loyola que cruzou duas vezes o Oceano Atlântico, ávido de dar a própria vida pela evangelização da América do Norte.

Têmpera de missionário

Isaac Jogues nasceu na histórica cidade de Orléans  em 1607. Desde o início de sua formação religiosa e intelectual, sentia ele o desejo de ser missionário e evangelizar terras longínquas. Havendo ingressado no noviciado jesuíta de Rouen, sonhava com as missões na Etiópia ou no Japão. Contudo, seu mestre de noviços, o Pe. Louis Lalemant, vaticinou-lhe: “Não morrerás em outro lugar que não seja o Canadá”.

Em Rouen fez os votos de pobreza, castidade e obediência, no perpétuo serviço de Deus dentro da Companhia de Jesus. Concluídos os anos de curso, foi chamado de volta ao colégio de Rouen, onde passou a lecionar. Ali se encontrou com alguns irmãos de hábito recém-chegados de terras canadenses. Entre eles estavam os padres Gabriel Lalemant, Jean de Brébeuf e Énemond Massé, que relataram as aventuras e riscos pelos quais passaram no Novo Mundo. Encantado à vista de tão amplo campo de apostolado, ansiava também ele conquistar almas para Cristo naquelas terras distantes e ignotas.

A missão na América do Norte era considerada, na época, uma das mais difíceis, devido ao rigor do clima, à precariedade dos alojamentos, às longas distâncias a percorrer e, sobretudo, à ferocidade dos aborígenes: as tribos dos huronianos, iroqueses ou mohawks, montanheses e algonquianos.

Início de uma epopeia

Ordenado sacerdote em 1636, antes de terminar os estudos complementares de sua formação espiritual no Colégio Clermont, de Paris, Jogues partiu para o Canadá, onde aportou em julho do mesmo ano. Assim escreveu à sua mãe ao chegar à aldeia missionária Sainte-Marie: “Não sei o que será o Céu; o que sei é que seria difícil sentir maior alegria que a que senti quando pus os pés em Nova França e celebrei a Missa em Quebec na festa da Visitação”.

Seu contentamento cresceu quando foi designado para o apostolado em Ossossané, região dos huronianos, em Trois-Rivières. A viagem era penosa e perigosa, pois a única condução eram as canoas dos aborígines, que vinham à cidade para o comércio de peles, e estes, se fossem contrariados em algo, não hesitavam em abandonar o passageiro na selva ou lançá-lo nas águas do Rio São Lourenço.

Afinal, decorreu sem maiores sobressaltos a longa viagem de dezoito dias. O Pe. Isaac encontrou à sua espera o Pe. Brébeuf, que o recebeu com mostras de fraternal afeto, e iniciou sem demora suas atividades, dividindo o tempo entre o estudo da língua indígena, o cuidado dos enfermos e a catequese.

Decorridos apenas cinco dias, foi tomado por um cansaço profundo. Passadas quarenta e oito horas estava com febre altíssima: fora atingido pela varíola, epidemia que se alastrava e prostrava tanto missionários quanto nativos, devido às péssimas condições de higiene.

A doença era caluniosamente atribuída pelos aborígenes aos “homens de preto”, aludindo à batina dos jesuítas. Segundo eles, suas “palavras mágicas” traziam a morte, e “a água batismal que derramavam na cabeça das crianças em perigo de morte era o veneno que realmente as matava”.

Esta foi uma das várias epidemias que “em poucos anos reduziram a doze mil uma população de trinta mil habitantes”.

Preparação para o martírio

Os resultados da evangelização, porém, eram escassos. Em uma das missões do Pe. Jogues, cento e vinte catecúmenos foram batizados, mas todos eles estavam em grave risco de vida. Somente em 1637, seis anos após a chegada dos jesuítas ao Canadá, o Pe. Brébeuf pôde batizar um adulto com saúde.

Mesmo vendo que a Divina Providência não premiava com frutos imediatos tão árduas atividades de apostolado, dispostos estavam os

O anseio de unir-se aos sofrimentos de Cristo inundava sua alma, e assim como o Pe. Brébeuf fizera o oferecimento formal de sua vida, “Pe. Isaac Jogues suplicara: ‘Senhor, dai-me a beber abundantemente do cálice de vossa Paixão’. Uma voz interior o advertiu que sua súplica fora ouvida”.

Aceitação do oferecimento

A oferta do missionário parecia prestes a se concretizar quando, em agosto de 1642, foi capturado pelos iroqueses enquanto viajava pelo Rio São Lourenço rumo a Quebec.

Chegados à aldeia de Ossernenon, região de Nova York, os sofrimentos e tormentos só aumentaram. Movidos pelo ódio, “os iroqueses surraram o Pe. Jogues sem piedade com varas e barras de ferro, arrancaram-lhe a barba e as unhas, esmagaram-lhe as pontas dos dedos e com uma cutilada cortaram-lhe o polegar da mão direita; as crianças divertiram-se aplicando brasas e ferros quentes em sua carne. Finalmente, penduraram-no em dois postes com cordas bem apertadas nos pulsos”. Um dos selvagens, vendo que ainda restavam “duas unhas inteiras numa das mãos do Pe. Jogues, arrancou-as com os dentes”. Durante a noite deixaram-no estendido no chão nu, coberto de feridas e assaltado por uma infinidade de insetos.

O Pe. Jogues ficou escravo dos iroqueses por mais treze longos meses de terrível cativeiro, no qual sofria tanto no corpo quanto na alma, pois as provações e as tentações o assaltavam a todo instante. Julgando estar sendo castigado por Deus, temia condenar-se eternamente se aqueles tormentos não terminassem em breve.

Trégua para a luta final

Liberto do cativeiro graças à intervenção de alguns holandeses que o ajudaram a fugir, Pe. Jogues voltou para a França a fim de recuperar-se deste quase primeiro martírio, embora desejasse permanecer na missão para continuar a batizar, converter e padecer.

Quando chegou a Rennes, estava irreconhecível! A tal ponto que o reitor jesuíta, que o conhecera bem antes de sua partida para o Canadá, perguntou-lhe:

— Conheceste o Pe. Jogues na Nova França?

— De modo bem íntimo, reverendo pai.

— E trazes notícias dele? Ainda vive ou, como dizem alguns, foi queimado pelos iroqueses?

— Não, meu pai, ele está vivo. Pois é ele mesmo está diante de vós e pede que o abençoeis…

Devido a seus dedos mutilados, o heroico missionário estava canonicamente impedido de celebrar a Santa Missa. Escreveu, então, ao Papa Urbano VIII uma carta, explicando em detalhes sua situação e implorando autorização para, apesar de sua deficiência, oferecer o Santo Sacrifício.

Com vivo interesse, o Sumo Pontífice pediu mais informações sobre o Pe. Isaac Jogues, sua missão no Novo Mundo e tudo quanto havia ele sofrido no cativeiro entre os iroqueses. Profundamente comovido pela narração, o Santo Padre exclamou: “Seria indigno negar a um mártir de Cristo permissão para beber o Sangue de Cristo”! E concedeu- lhe a autorização requerida. Ao subir os degraus do altar, depois de vinte meses, “parecia-lhe estar celebrando outra vez sua primeira Missa”.

Consuma-se o holocausto

Passou na França um curto período para se recompor dos tormentos padecidos. Seu mais ardente desejo, entretanto, era retornar ao front para continuar sua missão de salvar almas e, sobretudo, de sofrer.

Foi na viagem de volta ao Canadá, em 1644, que se passou o episódio da tempestade no navio, narrado no início destas linhas. A partir de então, todos consideravam o Pe. Jogues, mais do que nunca, um autêntico homem de Deus.

Após dois anos de missão em Montreal, recebeu em setembro de 1646 a incumbência de agenciar um tratado de paz com os iroqueses. Apesar da repugnância natural de voltar ao local onde tanto fora atormentado, não recuou, pois não temia sofrer mil mortes aquele cujo único anelo era fazer tudo quanto Deus lhe pedia.

Algumas semanas mais tarde, aproveitando a transitória paz obtida, Pe. Jogues foi escolhido para ir agora tentar evangelizar os iroqueses. Ao receber a ordem dada pelo superior, exclamou jubiloso: “Sentir-me-ia feliz se o Senhor quisesse completar meu sacrifício no mesmo lugar onde o começou”!

Em 17 de outubro de 1646, ao pisar de novo em Ossernenon, Pe. Isaac Jogues foi capturado e cruelmente torturado. No dia seguinte, um índio o matou a golpes de machadinha e em seguida o decapitou.

Assim se consumava seu holocausto, como sacrifício de agradável odor ao Cordeiro imolado. Sacrifício este que, unido ao de seus irmãos de hábito também martirizados naquelas rudes terras, revelaria nos séculos vindouros sua fecundidade, com o florescimento da Igreja Católica em território canadense.

Ir. Ana Bruna de Genaro Lopes, EP

 

Texto extraído, com adaptações, da revista Arautos do Evangelho n. 190. outubro 2017.

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