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Santo Sudário de Turim: farsa ou realidade? – II

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Os estudos ao Santo Sudário, longe de desmentirem a nossa fé católica, são precioso auxílio até para os descrentes…

santo sudario 3tl

Redação (17/06/2023 21:27, Gaudium Press) Em fins de 1978, após inúmeras dificuldades, os cientistas americanos que estavam estudando o Santo Sudário finalmente puderam tê-lo em mãos. Viajaram à Itália com os equipamentos necessários, e fizeram de uma imponente sala do antigo palácio real da Casa de Savoia – na época transformado em museu nacional – um dos mais singulares laboratórios da História. Paredes de seda carmesim e lambris, chão de belíssimo parquete e candelabros de cristal eram a moldura para as pesquisas de um dos mais preciosos tecidos que a humanidade conheceu, aquele que envolvera o Corpo inerte e chagado do Divino Redentor.

Seria impossível narrar em dois artigos todos os procedimentos realizados nas ininterruptas 120 horas de experimentos feitos pelos membros do STURP (Shroud of Turin Research Project – o Projeto de Pesquisa sobre o Sudário de Turim). Na ocasião, foram tiradas nada mais nada menos do que 5 mil fotografias, sem contar os incontáveis testes de física, biologia e de várias ciências químicas efetuados. Isto tudo acrescido aos estudos que se seguiram até nossos dias, fazem do Santo Sudário um dos objetos mais estudados pelo homem. Neste artigo, deitaremos a atenção em apenas duas grandes descobertas.

santo sudario 2tl

Qual foi a origem da imagem?

Uma das perguntas mais intrigantes para os cientistas era: como se formou a imagem? Pela exalação de líquidos de um corpo ou por algum outro fenômeno desconhecido? Mas, antes de resolvê-la, outra interrogação apareceu.

Dois membros da equipe, Dr. Roger e Dr. Marty Gilbert, estavam iniciando uma operação de 24 horas com um espectroscópio de refletância. Começaram por analisar os pés, e depois subiriam pelo corpo para descobrir a natureza da imagem. Entretanto, notaram que o espectro dos calcanhares era totalmente diferente do das pernas. Puseram-se a investigar do que se tratava, pois não compreendiam como as mesmas imagens pudessem ser feitas de matérias diversas.

Um outro membro da equipe, Eric Jumper, que estava presente no momento, chamou o Dr. Sam Pellicori para armar um macroscópio e analisar sob ampliação total a região dos calcanhares. Assim que o fez, Pellicori virou-se para Jumper e disse: “É terra”. Realmente, “o que poderia ser mais lógico do que encontrar terra nos pés de um homem que caminhara sem sapatos?”[1]

Mas isso estava muito longe de explicar a origem da imagem. Na verdade, somente anos depois, após muito estudar as fibrilas microscópicas do Sudário e realizar inúmeros testes químicos, os Drs. John Heller e Alan Adler descobriram que a imagem era resultado de “oxidação acidodesidrantante do linho”.[2] Ou seja, não se tratava de pigmentos, mas de uma espécie de “corrosão”. Inclusive, os dois químicos puderam reproduzir em uma fibrila de linho uma cor idêntica à das imagens do Sudário, utilizando-se de ácido sulfúrico. Acontece que a “coloração” das imagens do Sagrado Lençol estava presente apenas nas cristas dos fios de linho, enquanto a “base” deles era da cor do resto do tecido. Era uma precisão microscópica!

Ademais – como explicado no artigo precedente [3] –, estas imagens possuíam três dimensões. Pois bem, as áreas mais escuras não eram resultado de uma “coloração” mais forte das fibrilas, pois “a tonalidade de cada fibrila amarelo-palha era essencialmente a mesma, como em todo o resto. Era meramente o número de fibrilas que dava a impressão de áreas mais escuras ou mais claras”.[4] Em outras palavras, a tridimensionalidade antes apanhada pelo VP-8 não era aparente, mas real.

Um artista medieval?

Como explicar tão misteriosas descobertas? Digamos que as imagens tivessem sido feitas por um artista medieval – como muitos quiseram sustentar; neste caso, para colorir apenas a crista das microscópicas fibrilas de linho, obviamente ele deveria utilizar-se de um microscópio, aplicar uma quantidade de pigmento que não se espalhasse por toda a fibrila e, a fim de obter a profundidade existente nas imagens, teria que “pintar” mais fibrilas nas partes mais escuras, e menos nas mais claras. Não nos esqueçamos, porém, de que este suposto artista deveria utilizar o ácido sulfúrico para obter a coloração da imagem, e isso sem destruir a trama do tecido… Ademais, para ter uma noção global e não microscópica de sua obra de arte, ele deveria “pintar” com um pincel de mais ou menos 2 mm, pois a imagem só é visível a olho nu entre cerca de 2 mm e 9 mm. Haveria também uma outra opção: colorir o tecido baseando-se em uma fotografia no negativo; mas, neste caso, ele deveria arcar com as dificuldades de quem desenha num papel olhando-o através de um espelho…

Se, na Idade Média, houvesse pessoas capazes de semelhante prodígio, seria mister conhecer a história destes gênios singulares…

As manchas vermelhas são sangue?

santo sudario 1tlMas ainda restava descobrir a natureza das manchas vermelhas do tecido. Nos meses que se seguiram às 120 horas de experimentos feitos no Sudário, os membros do STURP continuaram analisando as microfibrilas de linho retiradas – sem dano – do tecido. Ora, um membro da equipe afirmava que as manchas avermelhadas não eram sangue, mas uma mistura de “óxido de ferro e sulfeto de mercúrio”. Houve muito debate. Não nos deteremos em narrá-lo aqui. O fato é que os Drs. Alan Adler e John Heller apresentaram uma lista de 13 testes que comprovavam serem sangue humano as manchas vermelhas, enquanto seu opositor fundamentava sua posição apenas em sua dita “experiência”. Enfim, tentou-se marcar algumas vezes conferências nas quais ambos os lados exporiam seus estudos; mas aquele que negava a existência de sangue no Sudário a elas não compareceu…

Outro dado impressionante: o sangue atingiu o tecido antes daquilo que gerou a “corrosão” das fibrilas e deu origem à imagem, de modo que as fibras avermelhadas foram “protegidas” da dita corrosão, a qual não penetrou nelas como no resto do Sudário em que estava estampado o Sagrado Corpo de Jesus.

Fé não é Ciência!

O leitor poderia se perguntar: não existe nenhum estudo mais recente e cabal do que este feito há 55 anos? Afinal, a Ciência evoluiu e talvez já tenha encontrado forma de refutar todos estes dados. A resposta é um rotundo não.

Claro está que até hoje o Sudário continua a ser estudado. Inclusive houve tentativas de desmentir tudo o que havia sido descoberto. Não nos dedicamos a refutá-las aqui, pois pode-se encontrar com facilidade estudos de sérios cientistas de várias áreas que demostram a falsidade de tais teses. Mas, apesar disso, diz-se em nossos dias que “o estudo mais completo sobre o Sudário na História foi conduzido pela equipe americana do STURP, sob o comando de John Jackson em 1978”.[5]

Entretanto, todas essas descobertas – há ainda inúmeras outras – são suficientes para provar que o Sagrado Lençol venerado em Turim é, de fato, aquele que envolveu Nosso Senhor?

Tal pergunta foi feita muitas vezes aos membros do STURP. Como cientistas, eles apenas afirmavam que tal hipótese não era impossível. Quando lhes perguntavam como a imagem foi formada, qual era a explicação da presença de sangue humano no tecido etc., a única resposta que possuíam era a seguinte: “Nós simplesmente não sabemos.”[6] O que não impedia que alguns dentre eles – como, por exemplo, o Dr. John Jackson, então chefe da comissão – acreditassem que haviam tido em mãos a “autêntica mortalha de Jesus de Nazaré”.[7] Realmente, eles eram muito cautelosos – ao contrário de certos cientistas contemporâneos que, baseando-se em alguns dados físicos, põem-se a tirar conclusões metafísicas e teológicas carentes de veracidade e de bom senso.

Enfim, caro leitor, os estudos ao Santo Sudário são um verdadeiro consolo para quem tem fé. A Igreja não teme a Ciência, e sabe o quanto esta lhe é útil para corroborar a sua doutrina. Se a Ciência não encontra explicações naturais para o Sudário, como o entenderemos a não ser pela fé?

Entretanto, é necessário deixar claro que, se é verdade que a Ciência pode auxiliar a nossa fé, ela nunca será seu fundamento. A Igreja não foi criada em laboratório, e sua força vem unicamente de Deus. Como disse São Paulo, a nossa Fé não se baseia na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus (cf. 1Cor 2,5).

Por Lucas Rezende


[1] HELLER, John H. O Sudário de Turim. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985, p. 111.

[2] Id., p. 219.

[3] https://gaudiumpress.org/content/santo-sudario-de-turim-farsa-ou-realidade-i/

[4] Id., p. 200.

[5] GÓRNY, Grzegorz; ROSIKÓN, Janusz. Testimoni del misterio: le relique di Gesù. Città del Vaticano: LEV, 2019, p. 42.

[6] HELLER, John H. Op. cit., p.216.

[7] Id., p. 218.

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