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quinta-feira, maio 6, 2021

São José: príncipe da casa de Davi e trabalhador manual

São José reunia em si dois extremos da escala social. Embora ele fosse inferior a Jesus e Maria, ocupa diante de Deus e dos homens o primeiro lugar.

Redação (01/05/2021 11:47, Gaudium Press) Considerando que “o Menino ia crescendo e Se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava n’Ele” (Lc 2, 40), e que também Nossa Senhora progredia a cada instante, impregnando seu esposo com o aroma de sua virtude, chega-se à conclusão de que o período da infância do Filho de Deus poderia ser designado como a história de três perfeições que atingiram o auge ao qual foram chamadas, conforme observa Dr. Plinio:

“Na casa de Nazaré havia uma ascensão em graça e santidade a todo momento por parte das três pessoas excelsas que moravam lá. Se naquele tempo existisse relógio, diríamos que a cada tique-taque Jesus, Maria e José cresciam em graça e santidade perante Deus e perante os homens. Essa ascensão contínua foi, a meu ver, o encanto de Deus e dos homens naquela humilde moradia”.

Entretanto, esses três auges eram desiguais, amando-se e completando-se em plena harmonia. Entre eles Deus instituíra uma ordem admiravelmente inversa, pois “aquele que era o chefe da casa no plano humano era o menor na ordem sobrenatural; e o Menino, que devia obediência a São José e a Nossa Senhora, era Deus”.

Duas pontas opostas da hierarquia temporal

Essas perfeições altíssimas realizavam uma sinfonia sublime em louvor à hierarquia. O próprio São José reunia em si dois extremos da escala social.

De um lado, a Providência o escolheu como príncipe herdeiro da estirpe mais augusta que houve na terra, pois nenhuma linhagem imperial ou real se compara à família de Judá, em cujo seio nasceu Deus feito Homem.

De outro lado, porém, dispôs que esse chefe da casa de Davi fosse trabalhador manual, a ponto de, anos mais tarde, quando os nazarenos procuravam desqualificar Nosso Senhor, dizerem entre si: “Não é este o Filho do carpinteiro?” (Mt 13, 55), insinuando tratar-se de alguém sem representatividade social.

O Verbo Encarnado quis que seu pai virginal Lhe transmitisse essas duas pontas opostas da hierarquia temporal.

Com efeito, em Nosso Senhor a natureza humana e a divina são duas realidades infinitamente distantes, que se unem na mesma Pessoa. De forma análoga, a condição de príncipe pretendente à realeza e a de marceneiro coincidem em Jesus.

Por isso afirma Dr. Plinio que “o Deus-Homem foi também Rei-Operário”. Assim, o Filho de Maria, como autêntico “Príncipe da Paz” (Is 9, 5), harmonizou em Si categorias sociais extremas, a fim de reforçar a concórdia entre os elementos intermediários e estabelecer a verdadeira “tranquilidade da ordem” de que nos fala Santo Agostinho.

Convívio na casa de Nazaré

Nossa Senhora, Rainha do universo e recatada dona de casa, via seu Filho comportar-Se em tudo como uma criança, que brincava com uma vivacidade encantadora, pedia-Lhe alimento e sentava-Se sobre seus joelhos para Lhe contar alguma história.

Entretanto, sabia que aquele Menino era a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, inseparável, portanto, das outras duas Pessoas.

E Maria, ao mesmo tempo que atendia seus desejos infantis com a naturalidade de Mãe, perscrutava, com o discernimento da mais sábia das damas, todas as razões simbólicas, teológicas e sobrenaturais que existiam por trás daqueles pedidos.

O menor gesto de seu Divino Filho era tão rico em matizes que se poderia estudar indefinidamente o alcance A Rainha do universo e recatada dona de casa de um só aceno, um só sabia perscrutar todos os gestos de seu Divino Filho olhar ou uma só palavra d’Ele.

Todavia, essa maravilhosa e transcendente intimidade entre Jesus, Maria e José não era percebida em seu aspecto mais elevado pela maior parte das pessoas que os conheciam.

Pelo fato de serem contemplativos e humildes, eles viviam numa espécie de anonimato, a fim de cumprir a vontade do Pai de manter seu Filho oculto ao mundo até a idade de trinta anos.

Só passados muitos séculos foi se firmando sempre mais nos corações dos fiéis a convicção do valor inestimável desse período perante Deus, os Anjos e a Santa Igreja, pois nele se manifestou a altíssima vocação da Sagrada Família.

Com efeito, pode-se afirmar que o convívio na casa de Nazaré foi o mais belo reflexo do relacionamento santíssimo, inefável e amorosíssimo da própria Santíssima Trindade.

A trindade da terra

Na Trindade do Céu, três Pessoas Divinas e perfeitíssimas estão unidas indissoluvelmente na essência divina e são um por natureza; na trindade da terra, três pessoas distintas se unem pelo vínculo do amor mais intenso, cumprindo em plenitude o desejo de Jesus consignado no Evangelho de São João: “Dei-lhes a glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um” (Jo 17, 22).

Bem o explica D. Sinibaldi: “Na Trindade do Céu, o Pai é a Primeira Pessoa, porque é o Princípio, do qual as outras duas Pessoas procedem; o Filho é a Segunda Pessoa, porque procede da inteligência do Pai; o Espírito Santo é a Terceira Pessoa, porque procede da vontade do Pai e do Filho, como de um único princípio.

Na trindade da terra, José, chefe da Sagrada Família, representa a Pessoa do Pai; Jesus, Verbo Encarnado, representa a Si mesmo; Maria, a Mãe do belo amor, representa o Espírito Santo, que é o Amor incriado e pessoal.

José, embora inferior a Jesus e Maria, ocupa diante de Deus e dos homens o primeiro lugar; pois o Pai Celestial, confiando a José seus dois amadíssimos tesouros – Jesus e Maria – comunicou-lhe seu nome e sua autoridade!

Assim, a Trindade do Céu Se reflete e Se manifesta na trindade da terra, e em Jesus e por Jesus a terra se une ao Céu”.

Mons João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído do livro São José: Quem o conhece?…

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