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Sínodo da Sinodalidade se encerra deixando panorama nebuloso

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O grande experimento da sinodalidade tende a fracassar, se não forem criadas a tempo as instâncias concretas para sua implementação.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (01/11/2023 09:35, Gaudium Press) O Sínodo sobre a Sinodalidade concluiu sua primeira parte no dia 29 de outubro passado, deixando, por um lado, algumas certezas sobre a realização da II Assembleia e, por outro, diversas incertezas sobre os próximos passos do processo sinodal. Ainda permanece nebuloso o que ocorrerá até a definitiva Assembleia Sinodal, programada para outubro de 2024. A névoa é ainda mais densa quando se trata da implementação da sinodalidade em todos os níveis da vida eclesial.

Com efeito, uma das incertezas é o futuro papel das Conferências Episcopais na promoção da reflexão teológica e pastoral sobre questões cruciais, delineadas durante o Sínodo. Estas, juntamente com as estruturas hierárquicas das Igrejas Orientais Católicas, devem “servir de elo entre suas Igrejas locais e a Secretaria Geral do Sínodo” no desenvolvimento das propostas sinodais. Entretanto, o documento não indica como este elo será efetivado.

O Instrumentum Laboris, documento de trabalho, definiu como objetivo principal da I Assembleia, o delineamento de caminhos de estudo em um estilo sinodal, que envolve identificar os atores relevantes e favorecer um processo frutífero para o discernimento a ser concluído na segunda sessão em 2024. Entretanto, o processo de discernimento não foi definido, cabendo a cada realidade eclesial “aterrizar” estas ideias e concretizá-las.

Por sua vez, o relatório de síntese, publicado no final da Assembleia, ressalta a necessidade de um estudo aprofundado e a criação de comissões de teólogos e canonistas. Contudo, não especifica como essas comissões serão formadas, quem selecionará os seus membros, ou quando se reunirão. Este é o caso da proposta de uma “comissão intercontinental especial de teólogos e canonistas” para examinar a definição e compreensão conceitual da sinodalidade e suas implicações canônicas”.

O documento também identifica 75 itens como “assuntos de consideração” que carecem de um aprofundamento teológico, pastoral e canônico. Entre essas questões estão o acesso das mulheres ao ministério diaconal, o celibato sacerdotal, a “hospitalidade eucarística” para casais inter-religiosos e a atribuição judicial, em casos de abuso, a outro órgão, uma vez que esta tarefa “coloca muitos bispos na difícil situação de ter de conciliar o papel de pai com o de juiz”. Estes temas, diga-se de passagem, foram os que menos consenso tiveram na votação dos tópicos para a publicação da síntese final da Assembleia.

Apesar de os organizadores terem incentivado os participantes a compartilharem suas experiências após a Assembleia Sinodal, faltaram passos concretos especificando como deveria ser esta partilha, e o que deveria ser feito para que este esforço frutificasse em iniciativas.

A reunião deste ano contou com 364 delegados sinodais, que foram convidados a retornar a Roma para a Assembleia de 2024. Vale destacar que o documento de síntese também preconiza a inclusão de novos participantes na próxima edição. A maioria dos delegados votou a favor de convidar mais delegados fraternos (membros de outras religiões) para a próxima sessão. Vale destacar que o Sínodo teve um forte acento ecumênico, demonstrado desde a sua inauguração, com uma vigília ecumênica na Praça de São Pedro, no dia 30 de setembro.

Os organizadores asseveraram que o relatório de síntese não servirá como documento de trabalho em 2024. Assim, fica assegurada a realização de um segundo Instrumentum Laboris que será preparado para orientar as discussões. Excluem-se, no entanto, outras fases diocesanas ou continentais para a preparação deste novo documento. A expectativa é que a Assembleia de 2024 produza um documento final que auxiliará o Papa a realizar aquilo que está contido no tema oficial do Sínodo: “Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”. Espera-se ainda que esta segunda assembleia determine as modificações concretas a serem feitas na vida da Igreja para a implementação da sinodalidade. Está ainda contemplada a possibilidade da modificação de documentos, como o Código de Direito Canônico e o Catecismo, para assegurar a difusão da sinodalidade na Igreja.

Em última análise, aguardemos que todas essas incertezas sejam resolvidas, pois a aceitação da proposta do Papa Francisco depende da rapidez das respostas às perguntas deixadas pela I Assembleia. O grande experimento da sinodalidade tende a fracassar, se não forem criadas a tempo as instâncias concretas para sua implementação.

Por Rafael Silva

Correspondente da Gaudium Press – Europa/Vaticano

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