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Texto com o qual o Papa consagrará a Rússia ao Imaculado Coração de Maria

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O Papa havia anunciado que enviaria este texto aos bispos de todo o mundo.  

Redação (22/03/2022 20:15, Gaudium Press) À medida que o dia 25 de março se aproxima, o mundo está cada vez mais consciente da importância do ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, que será realizado pelo Papa e pelos bispos do mundo inteiro.

Ontem foi noticiado que o Papa Bento XVI, de seu retiro no mosteiro Mater Ecclesiae, estará unido a este ato.

Hoje, a agência de notícias Acidigital divulgou o texto que o Papa usará na Basílica de São Pedro, e que ele mesmo enviou aos bispos do mundo inteiro para que se unam a ele nesse ato:

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens.

Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum.

Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, nos lembrais de que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, Vós estais sempre conosco e nos guiais com ternura mesmo nos momentos mais conturbados de nossa história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão.

Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: “Não estou porventura aqui Eu, que sou vossa mãe?” Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente nos momentos de provação, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: “Eles não têm vinho!” (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, desperdiçamos o dom da paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:

Vós, Estrela do Mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;

Vós, Arca da Nova Aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;

Vós, Rainha do Céu, trazei de volta ao mundo a harmonia de Deus;

Eliminai o ódio e a sede de vingança, ensinai-nos o perdão;

Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;

Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;

Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;

Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

Que o vosso clamor, ó Mãe, mova os nossos corações endurecidos. Que as lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, em meio ao barulho das armas não se silenciam, que a vossa oração nos predisponha para a paz.

Que as vossas mãos maternas acariciem aqueles que sofrem e fogem das chuvas de bombas. Que o vosso abraço materno console aqueles que são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27).

Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio.

O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso, nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia.

Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei com que cesse a guerra, espalhai a paz por todo o mundo. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz.

Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar os nossos dias. Nossa Senhora do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus.

Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amém.

  

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