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terça-feira, junho 14, 2022

A filha religiosa do Ministro da República Dominicana assassinado

Em meio à trágica morte do Ministro Orlando Jorge Mera, os dominicanos ‘descobriram’ a Ir. Patrícia Victoria, sua filha.

Redação (11/06/2022 10:09, Gaudium Press) A notícia do assassinato de Orlando Jorge Mera, Ministro do Meio Ambiente da República Dominicana, ocorrido na última segunda-feira, 6 de junho, em seu próprio gabinete e pelas mãos de um antigo amigo de infância, ainda mantém o país em estado de choque e continua a chamar a atenção do mundo inteiro.

A morte de Orlando Jorge também trouxe à tona a alta estima que ele gozava nos mais diversos setores do país. Um homem em pleno brilho de sua carreira política, com apenas 55 anos, filho de um ex-presidente da república, marido da embaixadora da República Dominicana no Brasil, irmão de uma vice-ministra e pai de um jovem e promissor deputado, era natural que os focos de atenção se voltassem também para toda a família do Ministro, na qual as pessoas se tornaram coparticipantes de sua dor.

Entretanto, em meio ao luto e comoção, a ‘descoberta’ de uma figura relacionada a todos esses acontecimentos trouxe esperança e alívio à consternação sentida pelos dominicanos pelo absurdo crime: trata-se da filha religiosa do ministro Jorge Mera, a Ir. Patricia Victoria, dos Arautos do Evangelho.

Patricia ainda muito jovem e com autorização dos pais (hoje Ir. Patrícia) foi morar no Brasil para receber educação nos ambientes dessa entidade de direito pontifício, e finalmente decidiu-se pela vida religiosa.

No meio da amargura, uma agradável surpresa

“Muitas pessoas ficaram curiosas e surpresas ao saber da existência de Patricia Victoria Jorge Villegas, filha de Orlando Jorge Mera, especialmente por causa da vestimenta usada pela jovem, que se consagrou ao serviço dentro da Igreja Católica através dos Arautos do Evangelho”, informou, em 9 de junho passado, Listín Diario, um dos meios de comunicação mais reconhecidos do país. “Os Jorge Mera Villegas, até agora, eram conhecidos pela sua atividade política (…) No entanto, uma das suas filhas, Patricia Victoria Jorge Villegas, deixou uma mensagem de esperança (…). Nas redes sociais, a vestimenta da jovem despertou curiosidade. É o traje usado pelos Arautos do Evangelho, uma congregação da Igreja Católica”, relatou por sua vez Diário Libre em 8 de junho.

Os holofotes da mídia se concentraram nela quando, ao final da homenagem prestada ao pai na capela do Palácio Presidencial, no último dia 7, foi consolada pelo presidente dominicano Luis Abinader e sua esposa, que gentilmente lhe ofereceu um lenço para enxugar algumas lágrimas que desciam pelo rosto, num rosto que, ao longo destes dias, foi de aflição mas também de resignação e serenidade.

Os internautas, muito interessados ​​e em grande número, logo encontraram um vídeo no qual a Ir. Patricia Victoria conta sua vida. Uma versão dessas imagens publicada pelo Noticias SIN, postada anteontem, 9 de junho, já se aproxima de 100.000 visualizações: “Por mais que o mundo possa oferecer tudo, quando Deus chama uma alma para uma vocação religiosa, nada e ninguém pode deter”, afirmou Ir. Patricia, em declarações que também se converteram em manchetes. “És admirável, grande exemplo de espiritualidade e humildade, que o Senhor te acompanhe sempre, me uno à tua dor”, comenta uma pessoa que assistiu ao vídeo. “Agrada-me ver que meu país, apesar de tudo, ainda está envolto em inocência.” “Hna. Patricia, apresento-lhe minhas condolências pela morte de Orlando Jorge. Também quero parabenizá-la pela sua consagração”, disse uma outra.

Pelo país, pela família, pelos seus ideais

Mas o povo queria saber quais eram os sentimentos que estavam no coração religioso mas triste da filha do ministro, que pensamentos ocupavam a sua mente neste trágico episódio. A curiosidade foi ampla e serenamente saciada, quando no final da missa de exéquias na paróquia de Santo Antônio de Pádua no dia 8 passado, na presença de vários bispos e personalidades civis e em imagens que também circularam profusamente, ela tomou a palavra, agradeceu aos prelados presentes e demais assistentes, bem como a Conferência da Igreja Episcopal Dominicana, e expressou:

“Isso, tudo é uma tragédia, mas é preciso ver com os olhos da fé e, com os olhos da fé, entende-se que meu pai sacrificou sua vida por este país, pela família e por todos os seus ideais”. “Com os olhos da fé, também nós, toda a família, só podemos dizer uma coisa, que meu pai estava com as melhores disposições na sua vida espiritual, católica e na sua carreira e, por isso, temos fé e esperança de que Deus o tem em suas mãos, então, muito obrigado por esta celebração.”

Ela – que o ministro assassinado descreveu como a sua mais dolorosa renúncia, quando permitiu seu caminho para a vida religiosa – também teve palavras de elogio e gratidão ao seu pai no cemitério Puerta del Cielo, onde Orlando Jorge foi sepultado: “Meu pai morreu com a fé de um homem católico e agora ele está em um lugar melhor do que nós”. A religiosa falou de sua vida impecável, de sua nobreza de espírito, de sua dedicação ao serviço dos outros: “Onde havia um problema, lá estava ele”. “Onde havia um problema, era ali que ele se metia e todos nós sabemos disso.” Agradeceu ao pai por ter-lhe transmitido a fé católica e por nunca ter colocado obstáculos à sua entrega a Deus.

Essas são apenas pinceladas do vivo interesse que a vida da Ir. Patrícia Vitória despertou. Alguns de seus escritos chegaram a ser comentados na mídia, retirados da revista de sua comunidade.

Em suma, no meio das tragédias, quando se procura e observa bem, o bálsamo de Deus está sempre presente. E, neste caso, a caridade cristã brilhou de maneira insigne, expressa no perdão que a Ir. Patricia e toda a família ofereceram ao assassino, num contexto em que normalmente só se pede justiça. (SCM)

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