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segunda-feira, abril 19, 2021

A inocência: a verdadeira paz para este mundo

Imploremos ao Divino Menino Jesus graças para o retorno da Inocência ao convívio dos homens, a fim de que assim se encontre a verdadeira paz; tão almejada por todos, mas tão pouco procurada onde realmente se encontra, ou seja, no Presépio.

Redação (21/12/2020 10:51, Gaudium Press) Na aurora da Criação, os Anjos, por um simples ato de vontade de Deus, foram tirados do nada e feitos puros espíritos. Inicia-se assim a obra dos seis dias firmada na Inocência. Os que se revoltaram contra o Autor da vida, perderam o estado no qual haviam sido criados e viram-se precipitados no Inferno.

A mesma Inocência foi conferida aos nossos primeiros pais, no amanhecer do Paraíso Terrestre. Desde os minerais até os homens, passando pela natureza vegetal e pelos animais, todos os seres evocavam esse magnífico selo de Deus, a Inocência Primeira.

O pecado original, porém, não só tisnou as almas de Adão e Eva, mas lhes fez perder essa fundamental virtude. E segundo São Paulo, suas funestas consequências se abateram sobre a criação inteira, a qual ficou “sujeita à vaidade” e “à corrupção”, e “geme” à espera do dia de sua gloriosa libertação.

Entretanto, o auge do esplendor da Inocência desceu sobre a terra ao pronunciarem os lábios de uma Virgem, em Nazaré, o “sim” à embaixada do Arcanjo São Gabriel: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra” (Lc 1, 38). Ela concebeu e deu à luz um Filho, Deus e Homem verdadeiro, a Inocência Encarnada.

A História gira em torno dessa virtude e, há alguns séculos, estabeleceu-se um processo na Humanidade pelo qual, de forma gradual, foram desaparecendo entre nós as manifestações de Inocência.

Restaurar a inocência

Como, então, restaurar a inocência?

Colocando em prática o conselho do próprio Jesus: “Na verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como meninos, não entrareis no reino dos Céus” (Mt 18, 3).

Na prática, o que significa converter-se e tornar-se “como menino”?

A criança não conhece a mentira, a falsidade nem a hipocrisia. Sua alma se espelha inteiramente em sua face; sua palavra traduz com fidelidade seu pensamento, com uma franqueza emocionante. Ela não tem as inseguranças da vaidade ou do respeito humano. Em uma palavra, ela e a simplicidade constituem uma sólida união.

O exemplo dado pelo próprio Deus

O Divino Infante, criador das leis da natureza, em dado momento a elas se submete como um pobre mortal. Ele deseja ensinar-nos mais esta virtude da criança que é obediente tal qual Jesus o era a seus pais, conforme encontramos em Lucas (2, 51): “e era-lhes submisso”. Para nosso exemplo, Ele conservou a obediência até o último suspiro de sua existência: “Humilhou-se a Si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8).

Que lição nos dá Jesus! A Sabedoria Eterna, um bebê em tudo dependente dos que O cercam. Essa deve ser nossa flexibilidade, resignação e disposição de alma diante de todas as circunstâncias de nossa vida, prontos a dizer “sim” a qualquer mínimo convite da graça. Eis o caminho indicado pelo Salvador, sobre as palhas da manjedoura.

Quanto nos custará, talvez, cumprir com os rigorosos deveres de uma sábia disciplina, ou de colocar-nos sob o jugo de uma autoridade, ou de nossas responsabilidades sociais e religiosas. Para agradecer a Jesus, seria bom impormos silêncio aos nossos caprichos e paixões, e imitarmos a sua obediência.

Jesus ama a pureza de coração

Se há uma nota que superlativamente nos atrai na criança, esta é, com toda certeza, a candura, que a faz ignorar a maldade. A pureza de coração, com a qual ela cria para si um universo de beleza moral que, se não trilhar as vias da santidade, ela perderá por não lutar contra a concupiscência decorrente do pecado original. Esta é a virtude que Jesus, no berço, nas praças ou no Templo, na Cruz ou na Ressurreição, mais ama (cf. Mc 10, 13-16).

Eis a maneira de adquirimos a paz: mantendo-nos inocentes até o dia do Juízo. Aí sim, teremos a verdadeira alegria, na companhia de Maria e José.

Mas, se a alvura de nossas vestes batismais tiver sido manchada pelo pecado, se foram elas rasgadas pelo desvario de nossas paixões e perderam os perfumes daquela candura de outrora, como proceder?

Acima de tudo, não devemos nos deixar abater. Façamos mergulhar nossa túnica nas miraculosas águas da penitência. Elas a lavarão, reconstituirão e a impregnarão de um celestial aroma. Nossas lágrimas de arrependimento junto ao Menino Jesus, sob a maternal proteção de Maria Santíssima e os rogos de São José, infalivelmente nos obterão a restauração de nossa inocência, conforme Ele mesmo nos prometeu.

A inocência: a verdadeira paz para este mundo

Peçamos a Maria que, nesta feliz e santa noite de Natal, faça nascer o Menino Jesus no presépio de nossos corações, para torná-los tão puros e inocentes quanto o d’Ele.

Conta-se um significativo fato ocorrido na época das caravelas. Debate-se a frágil embarcação sob uma terrível procela. Os tripulantes põem-se todos a rezar no tombadilho, implorando o socorro divino. Vendo bem que nada prognosticava o aquietamento daquelas enfurecidas ondas, rogam um milagre. Eis que, em certo momento, o comandante percebe entre os passageiros uma mãe estreitando ao peito seu filhinho.

Sem hesitar, arranca a criança dos braços da mãe, ergue-a e suplica em alta voz: “Senhor, nós pecadores não merecemos ser ouvidos por Vós. Pior do que ser tragados por estas águas revoltas, nosso destino bem poderia ser o eterno fogo do inferno. Mas, Senhor, aqui está um inocente que clama pela vossa misericórdia e intercede por nós. Clemência, Senhor, por esta inocência!”

Antes mesmo de devolver à mãe o menino, instantaneamente, as águas tornaram-se serenas.

Façamos o mesmo. A humanidade hoje atravessa uma de suas maiores crises.

Neste proceloso Natal de 2020, apresentemos o Menino Jesus a Deus Pai e, pela poderosa intercessão de Maria e José, imploremos a verdadeira paz para este mundo tão conturbadamente caótico. Ou seja, peçamos que volte a reinar entre nós a virtude da inocência.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.24, dezembro 2003.

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