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Conflito entre religiosas carmelitas e o bispo de Fort Worth

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O Dicastério para os Religiosos emitiu um decreto. Mas o advogado das religiosas diz que vai continuar com o processo civil.

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Redação (01/06/2023 15:15, Gaudium Press) Em um comunicado divulgado em 31 de maio, a diocese de Fort Worth declarou que o Dicastério para Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica da Santa Sé emitiu um decreto, nomeando o bispo Dom Michael Olson para atuar como comissário pontifício do mosteiro em Arlington, Texas.

O bispo lamenta a divulgação do conflito entre ele e o mosteiro de carmelitas descalças, localizado em sua jurisdição. É compreensível que o prelado não goste de ter sido revelado que ele restringiu os sacramentos às religiosas, negando-lhes a missa diária e a confissão, apenas autorizando a missa dominical e a confissão pascal.

É explicável que não agrade ao bispo que se saiba – que na sua investigação de um suposto caso da superiora, Madre Teresa Inês Gerlach, com um sacerdote – ele tenha ordenado o confisco do computador, laptop e celular do religiosa.

Diante a opinião pública, também não parece ser simpático que se saiba que o Bispo não permitiu que as religiosas escolhessem o seu próprio advogado canônico, mas que ele próprio o designou, o que evidentemente levanta dúvidas sobre a imparcialidade da defesa deste. Além disso, segundo algumas versões, o bispo ameaçou demitir as religiosas caso elas obstruíssem sua investigação.

Atualmente com o imediatismo das redes sociais, se uma pessoa espirra em uma parte do planeta, em poucas horas, o mundo inteiro já sabe… Às vezes o imediatismo do mundo digital impede julgar as coisas com profundidade ou objetividade. Mas a melhor forma de favorecer uma opinião devidamente informada e que tome uma posição objetiva é a transparência total, geralmente quando o assunto já é muito público.

Histórico

No final de abril, a diocese de Fort Worth iniciou uma investigação sobre uma suposta violação do sexto mandamento (não pecar contra a castidade) pela superiora do Mosteiro da Santíssima Trindade em Arlington, Texas, com um sacerdote de uma jurisdição diferente da do bispo Olson. (Nota: Além de ser repugnante para muitas mentalidades se isso fosse comprovado, muitos também se perguntam o que aconteceria se a Igreja começasse a investigar e penalizar com dedicação e delicadeza todas as faltas contra o sexto mandamento dos membros do clero, regular e secular, baixo e alto…)

As religiosas não ficaram de braços cruzados, mas entraram com uma ação civil contra o bispo e a diocese, pedindo uma medida de proteção, acusando o bispo Olson, de confisco indevido além de interrogatórios humilhantes.

Da mesma forma, as religiosas argumentaram perante o Vaticano que, como o mosteiro é canonicamente autônomo e sujeito apenas à jurisdição da Santa Sé, as intervenções da diocese e do bispo não teriam base legal.

No entanto, foi publicado que o dicastério do Cardeal Braz de Aviz em Roma emitiu um decreto, dando toda a autoridade ao Bispo Michael Olson, e nomeando ele próprio Comissário Pontifício para as religiosas.

Neste ínterim, Dom Olson havia enviado uma carta às religiosas, não muito amena, na qual as acusava de incitar “ódio e hostilidade”. Ele também reclamou do processo civil das religiosas, que continha “uma narrativa falsa para a investigação pendente”.

Como este decreto veio de um departamento do Vaticano, qualquer novo recurso das religiosas seria ouvido na Signatura Apostólica, o tribunal superior do Vaticano que decide questões relativas à competência, procedimentos e atos administrativos dos dicastérios do Vaticano.

O decreto afirma que, depois de considerar “a situação particular do mosteiro ‘São José’ das religiosas carmelitas descalças de Arlington”, nomeia Dom Olson “Comissário Pontifício” do mesmo, com “plenos poderes de governo e com a faculdade de designar, quando apropriado, as religiosas para assumir as funções de tutela dos membros da comunidade, representante legal, tesoureiro, etc.” Além disso, o decreto saneia todos os atos administrativos e jurídicos já praticados pelo mesmo bispo, o que significa que todas as ações anteriormente tomadas pelo bispo, canonicamente válidas ou não, foram aprovadas retroativamente pelo Vaticano.

Os termos e prescrições do decreto do dicastério para religiosos, na opinião de várias pessoas, já influenciam a investigação canônica que é realizada contra a religiosa, uma vez que não ficaria bem para Dom Olson se esta investigação concluísse que a Madre Gerlach é inocente. Não teria sido mais razoável nomear outro prelado Pontifício Comissário, diferente daquele que já acusou a religiosa de diversas más atitudes e tem seu veredicto comprometido?

Falhas no decreto

De qualquer forma, o advogado dos carmelitas não deixou de apontar falhas no decreto, conforme relatado pelo The Pillar Catholic:

Primeiro, fontes em Roma disseram ao The Pillar que ficaram surpresas com o fato de o decreto ter sido assinado pelo arcebispo Dom José Carballo, secretário do dicastério, e não por seu prefeito, cardeal João Braz de Aviz, como é de costume.

Mas ontem à noite, o advogado Matthew Bobo já afirmava que o número do protocolo do decreto do Vaticano “2256/2020”, “não está correto nem associado a este caso”, uma vez que o número de 2020 indica um caso relativo ao mosteiro, levantado no ano de 2020.

O advogado das religiosas também apontou que o decreto faz referência ao Mosteiro de São José, enquanto o Carmelo de Arlington é o Mosteiro da Santíssima Trindade.

O advogado Bobo argumentou que os aparentes erros do decreto, combinados com o fato de que o decreto não foi enviado ao advogado canônico das religiosas, poderiam colocar em dúvida a validade do decreto, um argumento que parece improvável de ter apoio em Roma.

O decreto também assinala um desvio de uma recente reforma canônica do Papa Francisco que, no ano passado, fez mudanças no direito canônico ao retirar o bispo diocesano do processo de determinar se uma religiosa em um mosteiro autônomo pode ser demitida.

Da mesma forma, a suposta autoincriminação da superiora – motivo pelo qual se teria iniciado a investigação – não teria validade jurídica, já que se trata de uma declaração feita por Madre Teresa Inês em dezembro de 2022, quando esta havia recebido forte medicação após uma série de problemas de saúde que ainda continuam neste 2023.

Sob forte medicação, a Madre teria contado à religiosa que cuidava dela e ao vigário geral de Fort Worth sobre o pecado contra o sexto mandamento. Mas, segundo relata o The Pillar, “fontes próximas ao mosteiro dizem que a ‘revelação’ da freira foi vaga e inconsistente, decorrente da anestesia e outros medicamentos”. Ela não estava totalmente lúcida.

Questiona-se também se o suposto pecado constituiria, de fato, um crime canônico ou um motivo de afastamento da vida religiosa.

Em documentos entregues ao mosteiro, Dom Olson afirma que sua pesquisa é feita baseada no cânon 695 do CIC, o qual afirma que os membros de uma ordem religiosa podem ser demitidos se tiverem cometido certos delitos canônicos. Esses delitos incluem atos sexuais públicos ou coercitivos realizados por clérigos. Entretanto, a Madre Teresa Inês é religiosa, não clérigo.

O advogado das religiosas diz que continuará com o litígio, “de acordo com a lei do estado do Texas, ao qual o bispo Olson está sujeito”.

“As ações injustas, ilegais e imorais tomadas pelo bispo Dom Michael Olson neste assunto foram explicitamente delineadas nas últimas semanas, e o decreto emitido pela Igreja Católica, vindo do Vaticano não muda nenhum dos fatos do caso”, acrescentou o advogado. (Saul Castiblanco/ Gaudium Press)

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