InícioNotícias da IgrejaEmbaixador israelense: Vatican News recusa publicar sua resposta ao jesuíta Neuhaus

Embaixador israelense: Vatican News recusa publicar sua resposta ao jesuíta Neuhaus

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As recentes tensões entre Israel e o Vaticano foram desencadeadas por um artigo intitulado “Antissemitismo e Palestina”, escrito por um sacerdote jesuíta e publicado pela Vatican News.

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Redação (18/05/2024 08:17, Gaudium Press) É verdade que as relações Vaticano-Israel não andam bem, talvez estejam no momento mais crítico desde a histórica visita de Paulo VI à Terra Santa, a primeira de um pontífice após a partida de São Pedro para Roma.

Recentemente, as declarações da jornalista do Iêmen, Tawakkul Karman, homenageada com o Prêmio Nobel da Paz em 2011, no Museu do Cemitério de São Pedro, puseram mais lenha nessas relações, ao rotular o que está ocorrendo em Gaza como um “ato de genocídio e limpeza étnica”, e o artigo do Pe. David Neuhaus, SJ, publicado no Vatican News colocou fogo nas relações judaico-vaticanas.

Neuhaus é um jesuíta conhecido por lecionar Sagrada Escritura em Israel e na Palestina, e é membro de longa data da Comissão Justiça e Paz da Igreja na Terra Santa.

Duas das reflexões do sacerdote despertaram particular indignação nos altos escalões judaicos, provocando uma resposta do embaixador de Israel no Vaticano, Raphael Shutz.

Segundo Franca Giansoldati no Il Messagero, Schutz relatou que, embora inicialmente tenha sido convidado para responder no Vatican News e no L’Osservatore Romano, esse convite foi posteriormente retirado: “Primeiro disseram que sim, mas depois voltaram atrás”, lamentou o diplomata.

A primeira questão polêmica levantada pelo jesuíta Neuhaus é a equiparação do colonialismo ao sionismo:

“O sionismo político tentou aproveitar a onda do colonialismo europeu e isso se mostrou eficaz quando os britânicos conquistaram a Palestina em 1917, depois de terem prometido aos judeus um lar nacional, como escrito na Declaração Balfour, redigida algumas semanas antes de a Palestina ser arrancada dos turcos”, escreve o Pe. Neuhaus.

A isso o embaixador Schutz responde que “sionismo e colonialismo nunca tiveram nada a ver um com o outro. Colonialismo ocorre quando um império ocupa um território distante para explorar seus recursos. O sionismo, por sua vez, trata de uma minoria perseguida que sentia a necessidade urgente de ter um lugar ao sol onde pudesse ser livre, independente e a salvo da perseguição.

Outra passagem do artigo do Vatican News que provocou mal-entendido é a da correlação entre o Holocausto judaico e o Nabka  – palavra usada para descrever a destruição da sociedade palestina em 1948  –, ou seja, o exílio dos palestinos que, em 1947, viviam nos territórios atribuídos ao Estado de Israel após uma resolução da ONU. A tese sugere que os judeus que fugiram do Holocausto para a Palestina acabaram por impor condições de exílio para os que já viviam lá.

Neuhaus reconhece brevemente que foram os árabes que rejeitaram o plano de divisão da ONU em 1947, mas depois não menciona que eles também foram os agressores que iniciaram a guerra em 1948. “Foram as miopias e as políticas beligerantes da liderança árabe palestina que provocaram a Nabka e não tanto o Holocausto. Consequentemente, dizer que foi por causa da Shoah (Holocausto) que houve a Nabka é outro erro, embora alguns possam argumentar que eles mereciam tal punição por causa de seu apoio entusiástico ao nazismo e de sua solidariedade com nazistas”, afirma o embaixador, referindo-se ao apoio incondicional a Hitler por parte do Mufti de Jerusalém Amin al-Husseini, uma das maiores autoridades do Islã sunita, aliado e amigo do Führer, que o encorajou a continuar o programa de extermínio do povo judeu até o fim.

Para o diplomata, o pensamento de Neuhaus “isenta completamente os palestinos de qualquer responsabilidade por seu destino. Ele os vê apenas como vítimas”.

O embaixador prossegue a esclarecer o artigo do Pe. Neuhaus, o que certamente provocará contra-argumentos do outro lado.

Quanto às operações em Gaza, elas continuam com maior intensidade se considerarmos que estão na fase final, mas parece que, mesmo que a guerra termine amanhã, o sentimento antissemita despertado em vários setores persistirá.

O Vaticano tem defendido fortemente a solução de dois Estados, contudo esta parece estar hoje mais distante do que antes do início do embate em Gaza, desencadeado pelo ataque brutal do Hamas.

Tanto do lado israelense, quanto do lado palestino e de seus apoiadores, cresce a ideia de aniquilar o adversário.

Nesta situação de ebulição, a diplomacia da Igreja poderia desempenhar um importante “papel articulado”, como já aconteceu no passado. Porém, é preciso salientar que, embora o prestígio da Igreja pareça ter permanecido intacto para os palestinos, isso não ocorre com os israelenses, dadas as declarações contraditórias e conflitantes dos últimos meses.

O problema reside no fato de que, como observado no passado, qualquer evento significativo no Oriente Médio tem o potencial de se tornar global. É provável que o término das operações em Gaza não represente o fim de uma ameaça iminente, mas sim o início de um equilíbrio delicado que manterá as tensões em nível global significativamente altas. (SCM)

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