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sexta-feira, janeiro 28, 2022

Fuga da Comunhão

Quantas pessoas deixam de procurar a comunhão para não se sentirem obrigadas a viver com maior recolhimento e maior desapego das coisas desta terra. Esse é o motivo verdadeiro porque muitos não comungam com maior frequência.

Redação (06/01/2022 11:04, Gaudium Press) Certas pessoas tímidas, aconselhadas por seu confessor a comungar com mais frequência, costumam responder: eu não sou digna.

— Não sabes que quanto menos comungas mais indigna te tornas, porque sem a comunhão terás menos força e cairás em mais faltas? Obedece ao confessor, deixa-te guiar por ele! As faltas, quando não plenamente voluntárias, não impedem a comunhão. Das tuas faltas, a maior é a de não obedecer a teu confessor.

Mas, dirá ainda:

— Mas eu levei uma vida má no passado!

— Não sabes que mais necessidade do médico e dos remédios justamente tem a pessoa que está mais doente? Jesus na Eucaristia é médico e remédio. É Santo Ambrósio quem diz: “Eu, que sempre peco, preciso sempre do remédio a meu alcance”.[1]

Este Pão do Céu requer que se tenha fome, Ele quer ser desejado[2]. Este pensamento “hoje eu comunguei, amanhã eu vou comungar” nos torna atentos para fugir do pecado e fazer a vontade de Deus!

— Mas eu não sou fervoroso.

— Se falas do fervor sensível, isso não é necessário e Deus nem sempre o dá até mesmo às pessoas mais piedosas.

Basta que tenhas o fervor de uma vontade resolvida a ser toda de Deus e a progredir no amor de Deus. Diz Gerson que quem deixa a comunhão por não sentir a devoção que desejaria sentir, faz como aqueles que não se achegam ao fogo porque sentem frio.[3]

Quantas pessoas deixam de procurar a comunhão para não se sentirem obrigadas a viver com maior recolhimento e maior desapego das coisas desta terra. Esse é o motivo verdadeiro porque muitos não comungam com maior frequência. Sabem que a comunhão diária não pode estar junto com o desejo de aparecer, com a vaidade no vestir, com o apego aos prazeres da gula, as comodidades, as conversas maldosas. Sabem que deveria haver mais oração, praticar mais mortificações internas e externas, maior recolhimento.

É por isso que se envergonham de aproximar mais vezes da comunhão. Sem dúvida, tais pessoas fazem bem em deixar a comunhão frequente enquanto se acham neste estado lastimoso de tibieza. Mas deve sair dessa situação de tibieza quem se sente chamado a uma vida mais perfeita e não querer pôr em perigo a própria salvação eterna.

Por S. Afonso Maria de Ligório

In: LIGÓRIO, Afonso Maria de. A prática do amor a Jesus Cristo. Trad. Gervásio Fabri dos Anjos. 7. ed. Aparecida: Santuário, 1996, p. 106-107.


[1] Sto. Ambrósio, De sacr., 1. 4, c. 6.

[2] S. Gregório Nazianzeno, Carminum, 1. 1, sectio 2, XXXIII, Tetrastichae sententiae, Sententia 37, vers. 145-148, MG 37 – 938-939.

[3] João Gerson, Collectorium super Magnificat, tract. 9, prt. 3, Opera, tom. 2, (Antwerpiae), 1706, col. 422.

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