O Cristo de Maio

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Deus quer, sempre quis e sempre quererá salvar todos os homens. Diversos são os modos pelos quais Ele nos convida à conversão. 

Redação (09/09/2020 11:32, Gaudium Press) Há na igreja de Santo Agostinho, no Chile, um recanto onde reina um recolhimento especial: o altar do Cristo de Maio. Chama fortemente a atenção ver sempre alguém rezando ajoelhado diante dele, ou algum pai contando aos filhos sua história matizada de lenda.

Antiga imagem que conserva os mistérios e as bênçãos de outros tempos, o Cristo de Maio não é obra de renomado artista nem se enquadra em alguma escola artística. Não olha para quem está de joelhos a seus pés, mas mostra-se absorto em um ponto elevado e indefinível, com vistas à eternidade. Por isto mesmo, parece alheio a tudo quanto o rodeia, solitário em sua contemplação.

Ela não tem aquele brilho de peça restaurada que se nota no restante da igreja. Está impregnada pelo tempo, dona de sua habitual expressão de tragédia e firmeza.

Intrigado, quis esclarecer o fato e me dirigi ao convento, onde encontrei Guilherme Carrasco, historiador que trabalhou na restauração do templo e fez pesquisas sobre o Cristo de Maio e a obra dos agostinianos no Chile. Deu-me ele pronta explicação: “O Cristo de Maio não foi restaurado, mas apenas submetido a um processo de conservação para manter-se tal como é conhecido por todos e, assim, não prejudicar a devoção que lhe têm os fiéis; é um patrimônio da Igreja e de nosso País”.

De fato, a história dessa imagem bem justifica a acertada atitude das autoridades.

O Cristo da Agonia

No ano de 1604 chegou a Santiago o jovem monge agostiniano Frei Pedro de Figueroa, nascido no Peru em 1580.

As crônicas destacam seu entusiasmo e constância no trabalho evangelizador por ele realizado na Capital chilena. No entanto, preocupava-o a escassez de imagens religiosas para incentivar a piedade dos fiéis. Em sua Lima natal, onde elas abundavam em beleza e variedade, havia ele observado o trabalho de seus irmãos de hábito que fizeram fama na arte da escultura.

E embora não sendo escultor, começou ele a fazer pequenas imagens que foram distribuídas pelos corredores de seu convento e de outras casas religiosas de Santiago.

Esses primeiros passos o entusiasmaram e ele atreveu-se a — com auxílio de um carpinteiro para o trabalho mais rudimentar — talhar uma imagem de Jesus Cristo agonizante na Cruz. Ajudado mais pela graça que por seus dotes artísticos, concluiu a piedosa obra em fevereiro de 1613.

Os peritos não encaixam essa imagem em nenhuma escola artístico-escultural. Tem ela algo de espanhol e algo de mestiço, sem grande valor artístico.

O trabalho do corpo não é requintado, e nem sequer as chagas estão esculpidas com esmero. Mas um ponto se destaca nela: a expressividade do rosto.

É um Crucificado de fisionomia séria, que olha com firmeza para um ponto indefinido, recordando a pungente exclamação: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Mt 27,46). Terá Frei Pedro se inspirado nesse trecho das Escrituras? De forma segura, nunca saberemos.

Exposto à veneração pública, o Cristo da Agonia — como passou a ser chamado — atraiu os fiéis da época, por serem poucas as imagens  nas igrejas de Santiago. Um fato extraordinário lhe daria a fama de que goza até hoje.

Manteve-se de pé, no terremoto

Cerca de dez horas da noite de 13 de maio de 1647, um forte terremoto abalou a cidade de Santiago. Muitas pessoas morreram e quase todas as casas vieram abaixo. Manteve-se em pé, contudo, o Cristo da Agonia, com parte da igreja dos agostinianos.

Como se o cataclismo tivesse sido pouca coisa, outro fato sobressaltou os sobreviventes: a coroa de espinhos de Nosso Senhor havia caído e estava em seu pescoço. “Que significaria isto?” — perguntavam-se.

Dom Gaspar de Villaroel, agostiniano e Bispo de Santiago, começou a reunir os sobreviventes perto da Praça de Armas. E os monges organizaram com os vizinhos uma procissão em que, todos descalços, para lá conduziram a imagem e a colocaram em lugar eminente.

Então, segundo consta em testemunho conservado no Arquivo Provincial Agostiniano, o Bispo fez, com grande ardor, uma pregação sobre “os mistérios contidos no referido caso, com tanto proveito para os ouvintes que causou em todos grande elevação de seus espíritos, com demonstrações de verdadeira penitência, tomando-se especialmente em consideração a coroa de espinhos posta no pescoço de nosso Redentor.”

A partir de então, a imagem ficou conhecida como o Cristo de Maio, e teve início de forma espontânea a procissão que até hoje percorre nessa data as ruas centrais de Santiago. Tanto a imagem quanto a procissão se converteram em um vínculo, no Chile de hoje, com a fé dos tempos coloniais.

Recentemente temos visto vários lugares arrasados pelos terremotos, furacões, ciclones e imagens piedosas que nada sofreram com os abalos. Com o Cristo da Agonia, os sacerdotes pregaram sobre os castigos e a necessidade de emenda dos pecados cometidos. Os fiéis, muito tocados, fizeram penitência. E hoje? As pessoas levam a sério os avisos de Deus?

 

Texto extraído, com adaptações, da revista Arautos do Evangelho n. 39 março 2005.

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