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Pedra da Igreja e… pedra de tropeço

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O Evangelho deste 22º Domingo do Tempo Comum nos convida a esvaziarmo-nos de nós mesmos, para que possamos fazer a vontade de Deus.

Entrega das chaves a Pedro

Redação (03/09/2023 15:40, Gaudium Press) São Mateus descreve em seu Evangelho as duas vezes em que Jesus refere-se a São Pedro como “pedra”. A primeira, quando o Apóstolo proclama a divindade do Mestre, e por isso chama-lhe de “pedra sobre a qual edificaria a sua Igreja” (cf. Mt 16,18); mas, logo em seguida, trata-o severamente de “pedra de tropeço” (cf. Mt 16,23), “porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens” (Mt 16,23).

Qual é o significado de tais palavras?

A sabedoria dos homens e a Sabedoria de Deus

“Naquele tempo, Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21).

Ao longo do convívio com Nosso Senhor, os Apóstolos tiveram oportunidade de presenciar inúmeros milagres e sinais por Ele realizados, que demonstravam não se tratar apenas de um enviado do Altíssimo ou de um Profeta, como tantos outros, mas de alguém unido essencialmente com a divindade, ou seja, Deus mesmo! São Pedro, há pouco, havia proclamado ser Jesus o “Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16); e Jesus aproveitara a ocasião para formar seus discípulos e prepará-los para o que viria a suceder no grandioso plano da Salvação: a sua morte e Ressurreição.

Ora, São Pedro, com falta de visão sobrenatural, começou a repreender a Jesus com estas palavras:

“Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca Te aconteça!” (Mt 16,22)

A visão que os discípulos nutriam da pessoa de Nosso Senhor, proveniente de uma graça derramada por Ele mesmo, mas também mesclada com certa concepção mundana, não lhes permitia compreender “a morte do Messias”.

Com efeito, se de um lado a graça lhes dizia no fundo da alma que aquele Homem-Deus deveria reinar e viver para sempre – e, de fato, Jesus vive na sua Igreja através dos Sacramentos e na alma de todo batizado em estado de graça –, por outro lado, a fé apoucada dos Apóstolos lhes privava a conformação de seus critérios aos de Deus, pelo que suas mentes não aceitavam certas verdades proclamadas por Jesus:

“Jesus, porém, voltou-Se para Pedro, e disse: ‘Vai para longe, satanás! Tu és para Mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!’” (Mt 16,23)

Quando lemos este trecho do Evangelho, no qual Jesus chama São Pedro de “pedra de tropeço” e de “satanás”, nosso respeito e veneração para com o primeiro Pontífice parecem constranger-se, pois jamais nos dirigiríamos a ele com tal imperativo. Porém, por que Jesus foi tão severo com seu vigário?

Jesus utiliza tal tratamento para formar seus discípulos, deixando claro que quando o homem não se esvazia inteiramente de si mesmo, não é capaz de se adequar aos anseios de Deus, tornando-se incapaz de compreender o papel do sofrimento. Simão Pedro “foi bem-aventurado quando o Pai lhe revelou; mas foi “satanás” quando deu ouvidos à carne e ao sangue, desconhecendo o divino”.[1]

Em seguida, Jesus afirma:

“Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24)

O sofrimento parece ser incompatível com a vida do homem, uma vez que o instinto de conservação nos leva a rejeitar tudo que cause dor e aflição. Mas quem nos deu o verdadeiro exemplo foi Nosso Senhor que, embora não tivesse pecado, carregou sobre Si nossas culpas, aceitando os mais atrozes sofrimentos, como afirmou: “Pai, faça-se a tua vontade” (Mt 26,42).

Ele demonstrou, desta forma, a maneira através da qual devemos esvaziar-nos de nós mesmos, para nos conformarmos com a sua vontade, glorificando-O segundo seu agrado.

Se nesta ocasião São Pedro soubesse ter visto a Jesus não com os olhos da carne, mas com os olhos da fé, cheio de Deus e, por isso, vazio de si, certamente não O teria traído durante a Paixão.

Por Guilherme Motta


[1] Cf. MALDONADO, Juan de. Comentarios a los Cuatro Evangelios. Evangelio de San Mateo. Madrid: BAC, 1950, v. I, p. 601.

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