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Por que pecamos tanto e nos confessamos tão pouco?

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Mesmo sabendo que a Confissão deveria ser um ato frequente na vida de um fiel, em sua benevolência, a Igreja determina que o católico se confesse ao menos uma vez ao ano. Ainda assim, por negligência ou preguiça, muitos não o fazem.

Foto: Arautos do Evangelho/ Fortaleza

Foto: Arautos do Evangelho/ Fortaleza

 Redação (24/03/2024 09:52, Gaudium Press) Esta semana, assistindo ao Podcast Salve Maria!, no canal Arautos do Evangelho, fiz uma viagem no tempo, meditando sobre a confissão. Lembrei-me de minha mãe, mulher simples e piedosa, que me ensinou as mais preciosas lições, que nem a vida nem os estudos conseguiram superar.

Quando menino, querendo confessar-se, ela sempre me levava consigo à igreja. No começo, eu não entendia direito. Ficava sentado em um banco, afastado do confessionário, me distraindo com as imagens dos santos nos nichos da robusta parede da igreja. Eu não entendia o que minha mãe estava fazendo enquanto eu esperava, mas sabia que era algo bom, pois ela sempre voltava com uma expressão muito serena.

À medida que crescia e compreendia melhor o que era a confissão, sentia-me um pouco perplexo pelo fato de minha mãe recorrer a esse Sacramento tão amiúde. Para mim, ela estava muito próxima dos santos, e eu não atinava sobre que pecados aquela bondosa mulher pudesse cometer para tanto ter que se confessar.

Ao ouvir, no podcast, a explicação minuciosa dada pelo Pe. Mauro Sérgio sobre os requisitos para uma confissão bem-feita, senti uma gratidão imensa pelo inestimável tesouro que minha saudosa mãe colocou em minhas mãos.

Aprendemos a obedecer

Na época em que fui criado, a educação das crianças era muito diferente. Nós tínhamos muito respeito pelos pais. Os papéis de cada um eram muito claros na hierarquia do lar e, aos filhos, cabia o papel da obediência.

Como moleques, criados mais soltos, podendo brincar na rua e com menos compromissos que as crianças atuais, era natural que fizéssemos algumas artes – e que as escondêssemos a fim de não levar bronca ou umas boas chineladas, quando exagerávamos.

Minha mãe, porém, me ensinou, com muita bondade e muito rigor, a não mentir para ela, por mais grave que fosse a situação. Assim, eu cresci acostumado a ter boas conversas com ela, nas quais podia me abrir. E, mesmo que recebesse uma reprimenda, a sensação era sempre de alívio grande.

A poderosa didática do exemplo

Quando eu entrei para o Catecismo (hoje, Catequese), minha mãe me explicou que em breve eu deixaria de contar os meus pecados a ela. Passaria a contá-los diretamente a Deus, na pessoa do sacerdote. Fiquei um tanto decepcionado com isso, mas, com o seu jeitinho, ela me explicou que eu estava crescendo e que, logo, não faria mais sentido contar todas as coisas para a mãe.

Então compreendi porque, desde pequenininho, ela sempre me levou à igreja quando ia se confessar. Poderia ter-me deixado com a avó ou uma tia. Mas, não, ela sempre me fazia acompanhá-la, e aquilo deu um ar de sacralidade ainda maior para este Sacramento.

Ao ouvir o padre mencionar as 16 características da boa confissão, pareceu-me que ele se referia ao modo como minha mãe se confessava. Ele explicou que a confissão bem-feita deve ser:

1- Simples

2- Humilde

3- Pura

4- Sincera

5- Frequente

6- Clara

7- Discreta

8- Voluntária

9- Com rubor

10- Íntegra

11- Secreta

12- Dolorosa

13- Pronta

14- Forte

15- Acusadora

16- Disposta a obedecer

O caderninho dos pecados

Alguns meses antes do término do Catecismo, ela me presenteou com um caderninho. Aconselhou-me a levá-lo quando fosse me confessar. Demorei para encher o primeiro caderninho, o que já não aconteceu com os próximos.

Acreditem, esse é um hábito que carrego comigo até hoje! Muitos caderninhos já passaram por minhas mãos. Os primeiros, eu guardei por um bom tempo, até que, minha mãe os achou em uma gaveta e me ensinou que eu não deveria ser o destino deles.

Primeiro: porque era um assunto entre mim e Deus e manter as anotações podia fazer com que elas fossem lidas por outras pessoas.

Segundo: quando eu me confessava, com sincero arrependimento, Deus me perdoava e esquecia os meus pecados. Guardar o caderninho significava correr o risco de me lembrar de algo que fora apagado da minha vida. Então, com certo dó, eu os destinei à fogueira, o que me fez muito bem: foi, como ela dissera, esquecer o mal praticado e já perdoado.

Faltam padres e sobram pecadores

Essas memórias todas me vieram com o podcast sobre a Confissão, que eu recomendo que assistam (deixarei o link no final).

Hoje em dia, pululam pecados, mas as pessoas já não querem se confessar. E, quando querem, esbarram na dificuldade de haver tão poucos sacerdotes disponíveis para ouvir as confissões. Faltam padres e sobram pecadores!

A Quaresma é a época indicada para a confissão anual, que deve ser feita por todo católico. Como foi explicado no Podcast Salve Maria!, isso não significa que o católico deva se confessar apenas uma vez ao ano. Esse é o mínimo que a Igreja recomenda. Obviamente, as confissões devem ser frequentes. Mesmo com a falta de padres, devemos sempre dar um jeito de encontrar os que possam nos confessar.

O pecado deve causar vergonha

Os pecados estão ficando cada vez mais públicos, mais graves e mais evidentes. Se, antes, nos envergonhávamos pelos erros cometidos, parece estarmos vivendo uma época em que quanto mais pecados a pessoa mostra, de mais status ela goza.

Há muitos que não têm coragem de se ajoelhar no confessionário e se confessar para o padre, mas sentem um mórbido prazer em relatar seus pecados como façanhas. Isso os faz sentirem-se como uma espécie de herói.

Todo ser humano traz dentro de si a exata noção do certo e do errado. Portanto, não é necessário que ninguém o acuse; você sabe exatamente quando anda mal, ainda que viva na mais completa negação. A consciência do pecado é uma marca que todo homem e toda mulher carregam dentro de si, independentemente de ter ou não ter fé, de ter ou não religião.

Então, mesmo que você não tenha tido uma mãe tão prestimosa quanto a minha nesse quesito, aproveite a Semana Santa para se confessar e mudar de vida! E, nos outros dias do ano, carregue consigo um “caderninho do pecado”. A simples existência dele vai incentivá-lo a se confessar.

E, para finalizar, deixo o link do podcast que tanto me tocou. Considere como um presente de Páscoa do velho Afonso para você, caro leitor, cara leitora.

https://www.youtube.com/watch?v=pFRZJGZU990

Por Afonso Pessoa

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