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O verdadeiro Messias e seu glorioso triunfo

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Sedentos de glória humana e incapazes de aceitar o Reino de Deus que lhes era oferecido, os inimigos de Nosso Senhor terminaram por crucificá-Lo, propiciando assim seu verdadeiro e perene triunfo.

Foto: Gustavo Kralj

Foto: Gustavo Kralj

Redação (24/03/2024 15:17, Gaudium Press) O Domingo de Ramos é o pórtico da Semana Santa, ao longo da qual contemplamos o cerne da vida e missão de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, o ponto central de nossa Fé Católica Apostólica Romana. É o Salvador, Ele mesmo, quem decide iniciar sua Paixão, entrando em Jerusalém montado num jumento, assim como foi Ele quem escolheu a carne humana para realizar a Redenção e a Gruta para nascer.

Algumas semanas antes de Se dirigir à Cidade Santa, Jesus ressuscitara Lázaro, falecido havia quatro dias. Bem podemos imaginar o espanto dos circunstantes quando Ele mandou abrir o túmulo, pois àquelas alturas o corpo já deveria estar em decomposição. A despeito do constrangimento geral, removeram a lápide e, à ordem de Nosso Senhor — “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11,43) —, este não só ressuscitou como subiu a escada de acesso à saída do sepulcro, “tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário” (Jo 11,44).

O fato alcançou grande repercussão em Israel, causando tal estupor que a opinião pública se tomou de sofreguidão por conhecer aquele extraordinário taumaturgo. Ora, como a Páscoa estava próxima, os judeus que subiam ao Templo para se purificar procuravam o Divino Mestre e se perguntavam uns aos outros: “Que vos parece? Achais que Ele não virá à festa?” (Jo 11,56). Ao saber que Ele vinha chegando, a multidão saiu-Lhe ao encontro com ramos de palmas nas mãos, aclamando-O, “porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre” (Jo 12,18).

Cena simples na aparência, grandiosa na essência

Nosso desejo seria de que esta entrada se verificasse de modo apoteótico. Nosso Senhor mereceria desfilar num animal imponente, um elefante ou um belo corcel branco, semelhante àquele sobre o qual aparece figurado no Apocalipse, com uma espada entre os dentes (cf. Ap 19, 11-15). Pelo contrário, o Senhor prefere uma singela montaria, Se apresenta com suas vestes habituais, sem ostentar um manto real, e não Se faz anunciar. Nada do que acontecia estava à altura d’Ele!

Contudo, se esta cena foi simples na sua exterioridade, foi riquíssima no que diz respeito à substância, pois ali estava o próprio Deus feito Homem.

Jesus pede “um jumentinho que nunca foi montado” — pois estava reservado para Ele — e o animal não se mostra arisco, mas caminha docemente, trazendo no dorso o Soberano do universo e nosso Redentor, em função de quem todas as coisas foram criadas. Quanto simbolismo há por detrás disso! Como gostaríamos de ter aquele burrico empalhado e conservado numa catedral!

À passagem de Nosso Senhor, o povo exclama maravilhado: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o Reino que vem, o Reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos Céus!”. Conforme a narração de São Lucas, em certo momento os fariseus interpelaram Jesus para exigir que reprimisse as ovações, e Ele lhes respondeu: “Digo-vos: se estes se calarem, clamarão as pedras!” (Lc 19,40). Sim, não só as pedras, como também as plantas, os insetos, as aves do céu, enfim, todos os animais, se congregariam em torno d’Ele naquela ocasião e saltariam de alegria cantando-Lhe as glórias, não os houvesse Ele refreado por um milagre.

A Cruz, sinal de contradição

É com vistas a este holocausto que Jesus entra em Jerusalém, a fim de nos livrar da condenação eterna, abrir as portas do Céu e comprar a nossa ressurreição. Por isso, em sua divina e infalível perfeição, a Igreja pôs a Cruz no centro das considerações do Domingo de Ramos, bem como de toda a Semana Santa.

A Cruz, sinal de contradição! Por que o Redentor escolheu este tipo de morte? Era de todos o mais ignominioso, reservado aos piores bandidos. O condenado à crucifixão era alvo do desprezo geral. A caminho do suplício, as pessoas debochavam e lhe lançavam cusparadas, e, quando os algozes o levantavam no madeiro, era costume aproximarem-se para ridicularizá-lo. Este gesto contribuía para aumentar a vexação e, por conseguinte, avivava no povo o medo de praticar algum crime. Enfim, o que havia de mais execrável Nosso Senhor quis para Si.

Cristo Crucificado

Crucificado e triunfante!

Em sua infinita sabedoria, o Verbo onipotente promoveu que a cruz fosse um símbolo de horror, rejeição e repugnância; e, depois, ao Se encarnar, abraçou-a para nos redimir e cumprir a vontade do Pai. Desde então, a Cruz tornou-se a maior honra, o maior triunfo, a maior glória; no dizer de São Leão Magno[1], transformou-se em cetro de poder, troféu de vitória, signo de salvação. Ela passou a ser o cimo das torres das igrejas, o centro das condecorações, o ponto mais alto das coroas e o sinal que distingue um filho de Deus de um filho das trevas.

Quando Nosso Senhor estava já exangue na Cruz, chagado da cabeça aos pés, prestes a render seu espírito, os sinedritas zombavam d’Ele, dizendo: “A outros salvou, a Si mesmo não pode salvar! O Messias, o Rei de Israel… que desça agora da Cruz, para que vejamos e acreditemos!” Com muita propriedade São Bernardo de Claraval comenta este trecho: “Ó língua envenenada, palavra de malícia, expressão perversa! […] Pois, que coerência há em ter de descer, se é Rei de Israel? Não é mais lógico que suba? […] Ou por outra, por ser Rei de Israel, que não abandone o título do reino, não deponha o cetro aquele Senhor cujo império está sobre seus ombros”.[2]

E foi o que aconteceu. Ao terceiro dia Ele ressuscitou, e no quadragésimo ascendeu ao seu Reino Celeste, onde está sentado à direita do Pai, dominando o mundo inteiro. Rei absoluto, Ele não desceu, mas subiu!

A Cruz se transforma em glória na eternidade

A fim de aproveitarmos bem as graças da Semana Santa que hoje se inicia, é necessário que nos compenetremos de que, muito mais que com ramos de palma nas mãos devemos acolher Nosso Senhor com determinações interiores e propósitos, e com a firme convicção de que fomos criados para servir o Homem-Deus, cada qual no seu estado de vida, seja constituindo família, seja como religioso.

Jesus me convoca a segui-Lo! Peçamos a graça de compreender que é através da cruz que chegamos à luz — “Per crucem ad lucem!” — e não há outro meio de conquistar a alegria sem fim. Que a cruz seja a companheira inseparável de cada um de nós até o momento de ingressarmos na visão beatífica, e continue junto a nós por toda a eternidade, como magnífica auréola de santidade, resplendor de glória.

Extraído, com adaptações, de:


CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos: comentários aos Evangelhos dominicais. Città del Vaticano-São Paulo: LEV-Instituto Lumen Sapientiæ, 2014, v. 3, p. 255-267.

[1] Cf. LEÃO MAGNO. De Passione Domini. Sermo VIII, hom.46 [LIX], n.4. In: Sermons. Paris: Du Cerf, 1961, v.III, p. 59.

[2] BERNARDO DE CLARAVAL. Sermones de Tiempo. En el Santo Día de la Pascua. Sermón I, n.1-2. In: Obras Completas. Madrid: BAC, 1953, v.I, p. 497-498.

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