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Santa Inês de Montepulciano: abadessa, mística e taumaturga

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Santa Inês foi favorecida com abundantes graças místicas e com o dom de fazer milagres. Até os espíritos infernais viam-se obrigados a obedecê-la.  

Redação (20/04/2022 08:47, Gaudium Press) Na vida de Inês de Montepulciano o chamado de Deus não tardou em se fazer ouvir, a ponto de prodigiosamente aparecerem, no aposento em que nascia, vários círios acesos com chamas divinas. Eles anunciavam a grande missão daquela menina.

Vocação provada desde a infância

Já aos quatro anos de idade, Inês sabia rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria, preferindo muitas vezes abandonar as brincadeiras infantis para conversar com Deus em algum recanto mais recolhido do jardim. Atraída por uma voz que sussurrava no fundo de seu coração, antes mesmo de completar os dez anos sentiu o desejo de abraçar a vida ­religiosa.

Desde cedo, porém, começaram as lutas e provas: ao manifestar a seus pais esses bons anseios, eles tentaram de todos os modos ­dissuadi-la.

Aconteceu então que, ao passar certo dia por uma colina próxima às muralhas de Montepulciano, Inês foi violentamente atacada por um bando de demônios que, assumindo a forma de corvos, grasnavam com fúria e feriam-lhe a cabeça com as garras e o bico. Havia nesse local uma casa de perdição que mais tarde seria derrubada e substituída por uma casa de esposas de Cristo fundada pela Santa, e os espíritos infernais pareciam prever o prejuízo que isto lhes traria.

Muita preocupação trouxe a seus pais o inusitado episódio, após o qual a menina apresentou-lhes de modo categórico os planos de Deus a seu respeito, informando que fatos semelhantes se sucederiam, caso continuassem a se opor ao cumprimento de sua vocação.

Temerosos, eles não tiveram outra opção senão render-se aos desígnios do alto: entregaram sua filha à vida religiosa, deixando-a entrar no mosteiro das “Irmãs do Saco”, assim chamadas porque, por humildade, usavam um escapulário feito deste tecido grosseiro.

Fervorosa oração e observância da regra

Exímia cumpridora da regra, sempre alegre e sem demonstrar fadigas, a pequena religiosa jejuava, rezava e fazia penitência, servindo de angelical exemplo às suas irmãs de vocação, que se admiravam com tão alto grau de fervor e virtude. Sua seriedade e contínuo progresso rumo à perfeição causavam estupefação até mesmo nas mais observantes.

Tendo sido premiada com inúmeras graças místicas, sua vida de oração transcorria num contínuo êxtase. Durante seus colóquios espirituais, não raras vezes entrava em demoradas levitações.

Nos locais em que se ajoelhava para rezar, habitualmente brotavam rosas e lírios, os quais exalavam um perfume único de agradável odor.

Assim tomada por fenômenos sobrenaturais, não conseguia ocultar às suas irmãs as labaredas de amor a Deus que chamejavam em seu coração.

Muitas vezes as religiosas, ao entrarem na capela, encontravam-na submersa em arrebatamentos, tendo seu manto coberto por uma espécie de suave maná.

E no dia em que emitiu os votos e recebeu o véu, em Proceno, a capela ficou repleta deste mesmo maná vindo do Céu, que caía formando cruzinhas, como que simbolizando a aceitação do Crucificado à oblação de si mesma feita por sua terna esposa.

Tendo nos braços o Menino Jesus

Em outra ocasião, enquanto rezava na capela do mosteiro, apareceu-lhe a Santíssima Virgem, trazendo em seus braços o Menino Jesus. Era a festa da Assunção e a Rainha dos Anjos entregou-lhe seu Filho, permitindo que O carregasse por alguns instantes.

Cheia de contentamento e enternecida, Inês rogou ao Divino Infante que permanecesse a seu lado ou a levasse consigo. Todavia ainda não estava na hora de ver este seu desejo realizado: não tardou para que Nossa Senhora O tomasse de novo nos braços…

Percebendo que o Divino Infante estava a ponto de partir, Inês retirou com muita habilidade a cruzinha que Ele trazia pendente do pescoço, e disse-Lhe: “Já que partes, deixa-me ao menos uma recordação deste dia!”

Sorriu Nossa Senhora ao ver o piedoso furto e desapareceu, ficando a Santa com o rosto em terra e a cruzinha fortemente apertada em sua mão.

Jovem superiora do mosteiro de Proceno

Aos quatorze anos, ­Santa Inês deixou seu primitivo convento para uma nova fundação, na cidade de Proceno, onde logo se tornou conhecida por sua virtude, conquistando a admiração e a confiança de todos.

Muitos do povo, encantados com ela, desejavam que fosse designada priora do mosteiro apesar de sua pouca idade, e providenciaram para isso as dispensas necessárias. Assim, antes mesmo de completar quinze anos, a jovem religiosa recebeu a incumbência de zelar pelas demais irmãs.

Considerando-se indigna da função que recebera, Inês redobrou as preces e sacrifícios: passou a alimentar-se somente de pão e água, tendo como cama o chão frio e como travesseiro uma pedra.

Perseverante na oração, obtinha tudo o que a Deus suplicava. Em uma ocasião, desejosa de ter alguma relíquia dos Santos Lugares onde Jesus vivera e derramara seu preciosíssimo Sangue, uma forte ventania encheu suas mãos de pó: um Anjo viera trazer-lhe torrões da terra que havia sido salpicada pelo Sangue de Jesus.

E como se não bastasse, logo em seguida o Anjo lhe entregou um pedaço da vasilha de barro na qual a Santíssima Virgem banhara o Menino Deus em sua infância.

Amante da Eucaristia, sentia-se constantemente atraída por Jesus-Hóstia, não perdendo um minuto no qual pudesse estar diante do sacrário. E, muitas vezes, quando não havia oportunidade de comungar pelas mãos de um sacerdote, tinha como ministros os próprios Anjos.

Poder de expulsar os demônios

Porém, mais do que para seu proveito espiritual, suas ardorosas preces serviam para beneficiar as almas que dela se acercavam.

Havia numa cidade vizinha a Proceno um possesso que se comportava de forma cada vez mais alarmante. Como nenhum sacerdote da região conseguira resolver o caso, os parentes do pobre homem, já desesperados e desejosos de obter sua cura, decidiram recorrer à santa abadessa, cujos milagres eram conhecidos na redondeza.

Percebendo que seria impossível levar o atormentado até ela, pediram que Inês os acompanhasse até o infeliz. Tão logo a serva de Cristo entrou na cidade, o orgulhoso e insensato demônio, que há pouco parecia não dar importância a nenhuma palavra que lhe era dita, começou a fazer rolar violentamente de um lado para outro o corpo do possesso.

Ao pisar a santa religiosa na soleira da porta da casa, se escutou o choramingo covarde e derrotado do demônio, dizendo: “Eu não consigo permanecer aqui, porque a virgem Inês entrou!”

Com isso, o atribulado homem se viu livre do espírito que há tanto tempo o torturava.

Alma contemplativa, de sólida vida interior, Santa Inês progredia a cada dia no aperfeiçoamento espiritual, sem nunca se deixar tomar pelas preocupações terrenas.

Nem a escassez de dinheiro, nem a falta de pão, constituíam obstáculo para a impetuosa abadessa. Diante de qualquer problema material, dirigia suas súplicas a Deus, sendo eficazmente atendida.

Inúmeras vezes multiplicou os pães a fim de alimentar as religiosas de seu mosteiro. E, não havendo mais vinho em uma das casas de família que visitava, transformou a água em vinho, como Jesus nas Bodas de Caná.

Na colina de Montepulciano

Após uma visão na qual ficava claro que era vontade de Deus que se fundasse uma nova casa religiosa na colina de Montepulciano, onde fora atacada pelos corvos, Inês partiu com algumas religiosas para ali erigir um mosteiro sob a regra de São Domingos.

Obtidas as doações necessárias, adquiriu todo o alto da colina, na qual construiu, além do convento, uma igreja dedicada a Nossa Senhora.

Estava um domingo em oração, quando um Anjo entregou-lhe um cálice, com as seguintes palavras: “Bebe, esposa de Cristo, este cálice que Nosso Senhor bebeu também por ti!”

Depois desta aparição, a santa abadessa adoeceu gravemente. Aquele que outrora a chamara para uma vida de luta, pedindo já aos nove anos de idade a perseverança nos bons propósitos apesar da pressão contrária de seus pais, agora a convidava para acompanhá-Lo ao alto do Calvário, unindo-se a Ele na aceitação de novos padecimentos.

Atendendo ao pedido de suas irmãs religiosas, Inês passou a visitar as termas da cidade de Chianciano, no intuito de restabelecer sua saúde. Ao colocar seus pés nas águas para se banhar, o lugar se encheu do já conhecido e misterioso maná que caía do Céu. Brotou também ali uma nova fonte que, pelos méritos da Santa, passou a curar numerosos enfermos.

Durante suas idas a esses banhos, operou muitos milagres, entre eles a ressurreição de um menino que havia se afogado, fazendo apenas um sinal da Cruz sobre o cadáver.

Após tantas curas e prodígios ali realizados por intercessão da virtuosa religiosa, o local recebeu o nome de Fonte de Santa Inês.

Prodígios até depois da morte

Retornando ao mosteiro, suas dores recrudesceram-se ainda mais e, em 20 de abril de 1317, terminado seu curso nesta vida, Santa Inês partiu para a eternidade.

Antes mesmo que fosse divulgada a notícia de sua morte, ao despertar da aurora, uma senhora acometida por gravíssima enfermidade no braço acercou-se das portas do mosteiro, pedindo para ver a falecida abadessa. Informava às irmãs que à noite tivera uma visão, na qual a Santa, cheia de luz e rodeada de Anjos, dizia-lhe que se tocasse seu corpo ficaria curada.

Aquele inerte cadáver, marcado por heroica santidade, continuava a beneficiar as almas, e alcançou a cura da aflita senhora.

Fatos semelhantes a este se deram durante vários dias após sua morte. E de seu cadáver começou a exalar um perfume celestial que se espalhou por todo o mosteiro, bem como um odorosíssimo bálsamo dele corria em abundância.

Ali Santa Inês tem beneficiado inúmeras almas com prodigiosas curas físicas e espirituais, merecendo ser aclamada como intercessora dos necessitados e terror dos espíritos infernais.

Texto extraído, com pequenas adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n. 208, abril 2019.

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