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Ser parente dos parentes de Jesus…

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Ser parente de Jesus seria, pelos nossos critérios, uma honra inigualável. Para o Filho de Deus, ao contrário, mais importante é fazer a vontade do Pai Celeste, colocando-O no centro de nossas vidas.

Foto: Francisco Lecaros

Foto: Francisco Lecaros

Redação (08/06/2024 16:59, Gaudium Press) Ao meditarmos nos mistérios da vida de Nosso Senhor, nossa imaginação é solicitada de modo especial quando nos detemos nos anos transcorridos no apagamento de Nazaré, a contemplar aqueles caminhos que em tantas ocasiões Ele percorreu; aquele panorama com o Monte Tabor ao fundo e a planície que avança até o mar inúmeras vezes por Ele divisado; aquela casa na qual Ele habitou desde o momento em que retornou do Egito, tão humilde, porém, quão impregnada da presença sobrenatural… Ali Ele viveu numa atmosfera de pobreza e esquecimento, mas de grandeza, de amor, de paz, de um descanso suave, e ao mesmo tempo de trabalho intenso. Ali Ele “crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52), sendo preparado por uma ação divina para sua grande missão.

Um véu cobria Jesus aos olhos dos seus

Como explicar que, em Nazaré, o Homem-Deus passou despercebido? Como parentes, vizinhos e amigos não vislumbraram em Jesus a divindade? Como não viram n’Ele, pelo menos, o Messias? O plano divino, por uma alta sabedoria, exigia que Nosso Senhor atravessasse esse longo espaço de trinta anos sem se distinguir, aos olhos dos seus, do jovem comum: honrando o trabalho, exaltando a humildade, dando-nos exemplo em tudo. A Providência queria — além de uma glória completa para o Filho de Deus Encarnado — conferir maior mérito a Maria Santíssima e submeter todos aqueles que com Ele conviviam a uma prova: a do esforço e da delicadeza de atenção para descobrir que em Jesus havia algo de mais importante em relação a qualquer outro homem. Para isso, lançou Deus um véu sobre suas qualidades humanas e sobre sua natureza divina.

Mas Ele causava admiração

Houve, sem dúvida, os que corresponderam a este convite. Se Ele assombrou os próprios doutores no Templo, aos 12 anos, não causaria admiração nas pessoas que O conheciam? Não é de se conceber que alguns companheiros de infância, familiares educados com Ele, ou adultos que privassem com Nossa Senhora e São José, não tivessem descerrado um tanto esse véu e se tenham dado conta, em algo, de quem era Ele? Para estes — uns mais e outros menos —, é provável que Jesus deixasse transparecer alguns reflexos da sua misteriosa divindade, incompreensível à razão humana.

Quão diferente terá sido para aqueles ― decerto a maioria ― que por infidelidade sempre consideraram Jesus como sendo apenas um deles, “o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão” (Mc 6, 3). Assueta vilescunt… A natureza humana, infelizmente, habitua-se a tudo e, na rotina, até as coisas mais extraordinárias se tornam vulgares.

Quais teriam sido as reações de uns e de outros quando chegou a hora de Nosso Senhor partir de Nazaré para dar início a sua vida pública? Era o Homem-Deus que ouvia os gemidos da História e abria seus braços com amor para abarcar as misérias, não só daqueles, mas de todo o gênero humano. Diante desta grandiosa manifestação de benquerença, se tornaria patente o valor de os familiares e próximos de Jesus de Nazaré terem vencido aquela prova que Deus lhes mandou, trazendo um inestimável ensinamento para todos nós, como poderemos constatar no Evangelho do 10º Domingo do Tempo Comum.

Ver no Filho de Deus apenas o Filho do Homem

“Naquele tempo, Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer” (Mc 3,20).

No episódio aqui narrado, Jesus tinha diante de Si uma multidão que ansiava por conviver com Ele e haurir seus ensinamentos, pois O estimava e se encantava com sua presença. Porém, havia também os que lá iam por egoísmo, interessados tão só em obter a cura de alguma doença ou outros benefícios.

“Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-Lo, porque diziam que estava fora de Si” (Mc 3,21).

Entre estes interesseiros, encontravam-se certos familiares de Jesus que certamente já tinham se reunido para comentar o que se dizia d’Ele, de sua doutrina e de seus milagres. Tinham-No visto crescer em Nazaré, onde não frequentara a escola de nenhum mestre, e de repente têm notícia de quanto suas pregações arrebatam multidões. Onde teria Ele aprendido tudo isso? Como não compreendiam o que se passava, indispuseram-se contra Ele. Julgaram-No talvez ridículo e receavam que suas atitudes manchassem o nome de sua estirpe. Entretanto, no fundo, como Ele vinha contradizendo os costumes mundanos e estava empenhado numa missão diferente de tudo quanto era tido por normal, não O aceitavam e pretendiam tratá-Lo como um louco.

Vemos, então, que a afeição dos familiares de Nosso Senhor por Ele é tipicamente a do egoísta; e poderíamos dizer que todos os egoístas são parentes daqueles parentes de Jesus… Como eles, também nós, se procuramos nos colocar sempre no centro de tudo, consideraremos insensatez as obras de Deus e exageradas as exigências da Religião. Eis uma importante lição desta Liturgia: devemos evitar tal delírio, tomando enorme cuidado com a sede de elogios e o desejo de chamar a atenção sobre nós, para que os outros nos adorem. Saiamos de nós mesmos, e seja a glória de Deus o eixo de nossa existência!

Extraído, com alterações de:

CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos: comentários aos Evangelhos dominicais. Città del Vaticano-São Paulo: LEV-Instituto Lumen Sapientiæ, 2014, v. 4, p. 143-50.

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