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terça-feira, abril 20, 2021

Símbolos presentes na estampa de Nossa Senhora de Guadalupe

Sinal de aliança perene com seu povo, há vários símbolos na bela figura da Santíssima Virgem estampada no manto do vidente.

Redação (12/12/2020 09:08, Gaudium Press) Notável é o fato de ter sido dado o sinal apenas na última aparição, como também ocorreria séculos mais tarde em Fátima. E não se trata só de um milagre para confirmar circunstâncias momentâneas. A imagem da Virgem, gravada num áspero e frágil tecido, haveria de permanecer incólume com o decorrer do tempo, evocando as características da Mulher descrita no Apocalipse (cf. Ap 12, 1-2) e prometida, ainda no Paraíso, à humanidade pecadora (cf. Gn 3, 15).

A veneradíssima imagem de Guadalupe é, contudo, um sinal crivado de outros sinais. O tecido da tilma é feito de uma fibra vegetal chamada ixtle, que se desfaz em menos de vinte anos. Fiéis réplicas confeccionadas com o mesmo tipo de tecido não duraram sequer uma década… Ora, aquela tilma se mantém inalterada há quase cinco séculos, apesar de ter permanecido sem vidro de proteção durante mais de cem anos, num ambiente úmido e salitroso, exposta à fumaça e ao calor de milhares de velas; em 1785 foi derramado sobre a borda do manto, acidentalmente, um líquido corrosivo que tão só manchou as fibras, sem nada destruir; e em 1921 explodiu aos pés da imagem uma bomba que arrebentou tudo ao redor, mas o tecido permaneceu intacto.

A própria existência da imagem gravada na tilma, segundo estudos realizados por técnicos altamente especializados, “não se encontravam nas fibras elementos corantes conhecidos […]. Não existem corantes de tipo mineral, nem vegetal, nem animal; poderíamos dizer que é uma pintura sem tinta […]. Estaríamos então face a uma aparição contínua da Santíssima Virgem”.

União entre o Céu e a terra

As estrelas do manto e os arabescos do vestido não são simples adornos. Segundo Mons. Eduardo Chávez Sánchez, um dos maiores especialistas no tema, trata-se de um verdadeiro “códice” de sinais que os índios sabiam ler.

O manto azul representa o céu, e as quarenta e seis estrelas nele estampadas “coincidem surpreendentemente com as constelações do céu no dia 12 de dezembro de 1531”.

A tonalidade rosa-aurora da túnica e as flores que a enfeitam evocam a terra ao nascer do sol.

Os estampados do vestido, cuja folha principal lembra o formato do coração e cujos galhos assemelham-se a veias enraizadas no manto, configuram um corpo de corações voltados para o alto que, estando na terra, recebem o sangue do Céu.

Na túnica da Mãe de Deus, à altura do ventre, vê-se um jasmim de quatro pétalas. Os astecas o denominavam nahui ollin, que significa plenitude. A presença deste símbolo, unido à cinta escura  que cinge a túnica da Virgem, indicam que Ela está grávida, prestes a dar à luz a plenitude do seu amor, ou seja, o fruto de suas entranhas.

Aos pés de Maria Santíssima aparece uma figura humana dotada de asas, cuja forma anatômica é idêntica às da águia. Seus rasgos fisionômicos chamam a atenção, porque o rosto reflete a inocência do infante, mas o modo como o cabelo está cortado e se implanta na cabeça, com discretas entradas na área frontal, evoca a maturidade de um sábio adulto. Sua idade indeterminada e a atitude de suas mãos simbolizam a união da terra com o Céu, do tempo com a eternidade, uma vez que com uma mão toma a extremidade da túnica e, com a outra, a do manto. Ele é, ao mesmo tempo, elo e mensageiro.

“Tudo está unido: o Céu e a terra estão irmanados; o sol, a lua e as estrelas já não estão mais em conflito ou em guerra cósmica, senão em harmonia, cobrindo a figura de Maria”, interpreta Mons. Chávez Sánchez.

Admirável e supremo sinal

Nos olhos da figura da tilma de São João Diego se encontram aspectos inexplicáveis para a ciência. Há neles a presença de diversas imagens óticas, e a íris, ao ser iluminada, se torna “brilhante e os reflexos luminosos contrastam com maior clareza, fenômeno que se pode perceber sem necessidade de aparelhos, e que induz o observador a pensar que se trata de um olho humano in vivo”.

No olhar de Maria está inexplicavelmente impressa a cena do momento em que João Diego abriu sua tilma para deixar cair as rosas: nela os técnicos identificam os diversos personagens presentes. Como se conseguiria, ainda com as avançadas técnicas atuais, pintar mais de dez pessoas em tão minúscula área e num tecido tão rude?

Para Deus, porém, nada é impossível. E todos os detalhes aqui comentados revelam que Ele é o insuperável Autor da figura da Virgem de Guadalupe, em cujos olhos está presente também o que, ao nosso ver, seria o admirável e supremo sinal: São João Diego contempla extasiado sua Imperatriz, com o mesmo olhar inocente de tantos Santos que viriam a florescer na América ao longo dos séculos.

Texto extraído, com adaptações da Revista Arautos do Evangelho fevereiro 2018.

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