II. CAPÍTULO 24. Uma Cópia da Virgem Santíssima.

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RETRATOS DE NOSSA SENHORA (1957).

“Que a vida dos cristãos se assemelhe o mais possível à da Santíssima Trindade”.

Segundo Sua Santidade Pio XII, este devia ser o fim do Ano Mariano, em que se celebrava o primeiro centenário da definição dogmática da Imaculada Conceição: reproduzir na nossa vida a vida da Santíssima Virgem; copiar em nós a sua imagem.

Porém não é só no Ano Mariano; em todos os anos da nossa vida deveríamos ter esse ideal. Imitá-la a Ela é imitar a Jesus Cristo, que é caminho, verdade e vida.

Para facilitar esse trabalho diário ofereço-te estes Retratos da Santíssima Virgem, retratos de todos os estados da sua vida, pois todos santificou para poder ser imitada.

O retrato é o que melhor supre a ausência de uma pessoa. Por isso os que querem perpetuar a sua memória mandam fazer o seu retrato. Por isso conservamos com o maior cuidado os retratos das pessoas que nos foram queridas e morreram já. Desde que se inventou a fotografia os retratos multiplicaram-se. Tiram-se fotografias dos atos mais importantes da vida. De certo conservas em casa muitos retratos da tua mãe: quando era pequenina, quando era jovem, com o vestido de noiva, quando já era mãe e te tinha pequenino em seus braços. Conservas com carinho esses retratos.

Olhas para eles muitas vezes com emoção. Mostra-los muitas vezes às pessoas que te visitam.

Porém além dessa mãe da terra, tens outra Mãe que vive agora no Céu e que há vinte séculos viveu na terra.

Não queres saber como era essa tua Mãe?

Um orfãozinho que não tenha conhecido a sua mãe pergunta com interesse aos que viveram com ela: Como era a minha mãe? E ouve com ternura as coisas boas que lhe dizem dela e até pensa no seu intimo: Eu quero ser como a minha mãe.

Os que acorriam a Fátima ao lugar das aparições perguntavam com vivo interesse aos pequeninos que viam a Santíssima Virgem: Como é Nossa Senhora? E tu, não queres saber como era a tua Mãe do Céu quando vivia na terra? Não queres saber como é agora que vive na glória e espera que vás viver com Ela?

Quanto mais amares a tua Mãe, mais desejarás saber como era.

Para que satisfaças esses desejos ofereço-te esta coleção de retratos da tua Mãe. São de todas as épocas da sua vida.

São da sua alma e do seu corpo.

Para os fazer não quis pedir cores às flores, aos crepúsculos e às auroras, como fazem os poetas.

Não quero que sejam retratos idealizados, quero que sejam reproduções o mais exatas possível da realidade. Para isso pedi cores à teologia e à história.

O retrato tem que ter ambiente e também o cenário onde a figura da Santíssima Virgem pareça real.

Não a vou pintar sobre a esfera do mundo, entre o céu e a terra, em clarões de luz e de glória. Não a vou colocar em palácios de mármore e de jaspe com vitrais policromos. A figura da Santíssima Virgem terá o cunho palestinense em que decorreu a sua vida.

Interessa saber como era a Santíssima Virgem, nossa Mãe, o que fazia quando vivia na terra. Não nos interessa tanto saber como a idealizaram Frei Angélico, Murilho, Ribera e Rafael.

O bom retrato não só reproduz as feições do corpo; através destas deixa transparecer as qualidades da alma.

Ao retratar a Santíssima Virgem não nos devemos contentar com dizer como era fisicamente e como vivia, temos que adivinhar como pensava e como sentia. Em que vou pintar esses retratos?

Não os vou pintar em tela nem em tábua, nem em cobre, vou pintá-los em ti mesma.

Quero que sejas um retrato vivo da Santíssima Virgem; por isso não me contentarei com dizer-te como era tua Mãe, dir-te-ei também o que tens que fazer para te assemelhares a Ela. O que tens que evitar. O que tens que praticar.

És mulher e apaixona-te a beleza. A Santíssima Virgem é um ideal de beleza.

Oxalá eu tivesse tanta habilidade para pintar os seus retratos que exclamasses deslumbrada: Que formosa é minha Mãe do Céu! Posso parecer-me com Ela. Quero parecer-me com Ela.

Toma o livro, lê-o com frequência. Supre com o teu coração e com a tua imaginação o que nele falte.

Medita. Reproduz em ti os traços formosos da Santíssima Virgem.

Procura ser um retrato vivo da tua Mãe.

Para que a tua vida se assemelhe o mais possível à da Santíssima Virgem tens que trabalhar como o escultor ao modelar um busto.

Tem diante de si o modelo e o tronco de madeira.

Um olhar ao modelo e um golpe ao tronco.

A princípio os pedaços de madeira que tira são grossos.

À medida que se vão aperfeiçoando as feições do rosto, os golpes são mais suaves, os pedacinhos de madeira mais finos.

Nos últimos detalhes é que se mostra o artista: nos olhos, nos lábios, em toda a anatomia.

Assim deves fazer para reproduzir em ti a imagem de Maria.

Um olhar à Virgem e um golpezito em ti, para tirar o que não se assemelhe à imagem da Virgem Santíssima.

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