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Uma paz sem Cruz e sem Cristo

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O mundo pode ser dividido entre os amigos e inimigos da Cruz de Cristo. Será esta a razão do caos no mundo?

Redação (13/03/2022 15:47, Gaudium Press): A Quaresma é o período que prepara as nossas almas para o grandioso acontecimento que antecipa as festas pascais da Ressurreição: a agonia de Nosso Senhor no Horto, a flagelação, a coroação de espinhos e, por fim, sua morte de Cruz, causa de nossa salvação. Cristo, que poderia ter redimido a humanidade por um simples ato de consentimento seu, quis por um gesto de infinito amor padecer o mais atroz e repulsivo sofrimento que poderia haver: o escárnio da crucifixão.

Inimigos da Cruz de Cristo

Na liturgia deste segundo Domingo da Quaresma, a leitura da carta de São Paulo aos Filipenses ressalta o descontentamento do Apóstolo contra esta comunidade de cristãos que se portam como inimigos da Cruz:

“Já vos disse muitas vezes e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,18).

A partir do momento em que Cristo abraçou a sua Cruz, é impossível dissociá-Lo dela. Poderíamos afirmar então que Cruz e Cristo são um. Ora, o cristão, um outro Cristo pelo santo Batismo, é chamado a seguir os mesmos passos de seu Senhor, carregando a sua cruz. Destarte, São Paulo se lamenta daqueles que não vivem “conforme a cruz de Cristo”. O que significa isto? O Apóstolo continua:

“O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas” (Fl 3,19).

Dir-se-ia que o Apóstolo das gentes colocou como remetente desta missiva não os cristãos de Filipos, mas os homens do século XXI. Sim! Vivemos tempos de terríveis calamidades: o pecado, o caos e as guerras; mas a humanidade não quer abrir os olhos para o panorama que se descortina no horizonte. Parece querer afundar-se cada vez mais na vidinha de todos os dias, sorvendo as últimas gotas do prazer sujo e amargo de um mundo agonizante.

            Eis como segue:

“Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor, Jesus Cristo” (Fl 3,20).

A aliança que Deus realiza com o homem exige dele a aceitação da Cruz através de uma vida íntegra e reta, mediante a qual se prova a autenticidade de seu amor, que “deve exercitar-se dia após dia na luta contra o maligno; [e que] exige do discípulo oração e sobriedade contínua”.[1]

Tais exigências, contudo, devem ser acompanhadas de uma elevação de vistas para o sobrenatural, como Nosso Senhor o quis demonstrar no monte Tabor – descrito no Evangelho de hoje (Lc 9,28-36) –, transfigurando-Se diante de alguns apóstolos para revelar a sua glória, dando-lhes forças para suportar o advento do sacrifício do Calvário.

Presentemente, o mundo parece ter recusado a Cruz de Cristo, visto que o mundo anelou uma paz sem Cruz e sem Cristo; e teve a guerra sem Cristo e sem a paz da Cruz. Cabe, pois, a nós a indagação: serei amigo de Nosso Senhor, ou seu inimigo?

Por Guilherme Motta


[1] COLUNGA, Alberto; GARCÍA CORDERO, Maximiliano. Biblia Comentada. Pentateuco. Madrid: BAC, 1960, v. I, p. 192.

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